sábado, 12 de março de 2016

Durante convenção, ala do PMDB pressionará por saída do governo Dilma

A ala peemedebista a favor do rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) vai levar hoje para a Convenção Nacional do PMDB – que reelegerá Michel Temer para a presidência do partido - um forte movimento de desembarque da legenda da base aliada após mais de uma década de aliança com o PT. 

O avanço das investigações na Operação Lava Jato, a crise econômica e a baixa popularidade do governo têm alimentado na oposição, e na ala dissidente do PMDB, o desejo de abreviar o mandato de Dilma por meio da instauração de um processo de impeachment.

“Faremos a maior convenção oposicionista da história do PMDB dos últimos dez anos. Quase todo o partido desembarca por compromisso com o Brasil e por sobrevivência partidária”, disse ao O POVO o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos nomes que trabalha pelo rompimento.

O partido, lembra Perondi, tem conversado há alguns meses com a oposição sobre uma aliança após a possível queda de Dilma. “Nós dialogamos toda hora. Estamos fazendo (encontros) há muito tempo”.

Outro deputado a favor do fim da aliança, Osmar Terra (PMDB-RS), não acredita que os cargos que o partido ocupa no Governo Federal dificultem ou impeçam que peemedebistas evitem o desembarque.

“Se houver impeachment, quem vai assumir os cargos é o governo do Michel Temer. E o Michel tem esse trânsito bom com todos os setores do partido”, afirmou, apostando que o governo do PT terá no máximo mais seis meses de gestão até a queda.

Apesar de garantir que o desejo de rompimento é representado pela maioria dos correligionários, Terra destaca que uma parcela significativa do PMDB ainda está avaliando a possibilidade. “Mas acho que todo o partido marcha (para a oposição), é uma questão de tempo. Amanhã (hoje) não vai ter uma moção de apoio ao governo na Convenção”, garantiu.

Pelas contas do grupo a favor do rompimento, pelo menos 14 Estados aprovam a inserção do partido nas fileiras da oposição. Ceará e Goiás seriam os únicos ainda em processo de avaliação. Com 34 votos no Diretório Nacional - o sexto de maior representação nacional - o grupo de Eunício Oliveira pode ser o fiel da balança nesse processo.

Ceará
Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, pediu “cautela” na discussão da ala oposicionista de deixar o governo. “Nós temos que ter cautela para não aparecermos como golpistas porque o beneficiário somos nós. A saída da Dilma quem assume é o PMDB. Então nós temos que ter parcimônia nisso”, avaliou.

Com boa relação no Palácio do Planalto, o senador foi beneficiado com várias indicações em cargos de âmbito federal (Anatel, Anac, Docas, superintendência federal da Pesca e Aquicultura e Pesca) e tem evitado falar publicamente em desembarque.

O senador procurou não falar sobre o movimento de saída e disse que o tema não estava na pauta da Convenção.

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