domingo, 1 de novembro de 2015

Quando as cobranças da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) do final do ano começarem a chegar, os usuários de 151 cidades do Estado passarão a perceber a tarifa mais alta e um possível adicional por uso excessivo. Daqui para lá, os consumidores terão de se adaptar e não consumir mais que 90% da média mensal do último ano para não arcar com a sobretaxa. “Como eu vou economizar mais ainda?”, é o questionamento de Jaciara lima, 27. A redução, ela conta, já é costume, mas agora vai ter de ser intensificada. 
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Na casa onde Jaciara mora, há outras cinco pessoas. “A gente já tenta economizar ao máximo aqui. Acho que não vou conseguir (diminuir ainda mais)”, ela lamenta. A máquina de lavar roupas já trabalha menos vezes por semana, algumas são lavadas com baldes e o banho é cronometrado. Diminuir ainda mais a conta será difícil, ela imagina. “O que a gente consumia já era pouco em relação às outras pessoas. Agora, elas vão adotar medidas que a gente já adotava, e eu ainda não sei o que mais posso fazer para diminuir mais o que já tinha diminuído. É complicado pra quem já pensava dessa forma”.

Para quem ainda não raciona o consumo, economizar pode ser mais fácil, imagina Girlene Paiva, 44. Na casa dela, o gasto é basicamente à noite, porque, durante todo o dia, ela e os filhos estão fora. “E, no que eu posso, eu já economizo há muito tempo”, relata. Na filosofia de que pequenos atos fazem a diferença, ela planeja que, além da consciência, quando a conta obrigá-la a reduzir mais o consumo, será o jeito “voltar para o princípio”: “Vou lavar louças com duas bacias, uma para lavar e outra para enxaguar”. A esperança é que dê certo.

Em condomínios
Se o gasto de água não reflete no bolso, é muito difícil estimular a economia. Essa é a reflexão de Marciano Félix, síndico de um condomínio com 280 apartamentos no Montese. “Como a água é inclusa no condomínio, muita gente não está nem aí”. A falta de consciência é justificada pelo “eu pago, eu tenho direito”, ele comenta. Para tentar diminuir os gastos, será necessário conter ao máximo vazamentos dentro e fora das residências. Outra proposta, ele cita, é que os blocos que não permanecerem na meta de consumo (cada um dos 10 tem um registro próprio) tenham que pagar o custo adicional da água. 

Para o condomínio onde é síndica, no Rodolfo Teófilo, Maria do Carmo, 67, tem uma meta que Marciano compartilha: individualizar a conta. “Quando estiver cada um pagando, vai sentir o gasto e vai economizar mais”. Com a conta unificada, quem mora sozinho paga o mesmo que quem mora com mais cinco pessoas. Na condição atual, o maior problema é o relaxamento que muitos têm. “Mesmo eu pegando no pé, se falta consciência na pessoa, essa economia não dá certo”.

Saiba mais

Na última semana, a Autarquia de Regularização, Fiscalização e Controle dos Serviços Públicos de Saneamento (Acfor) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) autorizaram a solicitação da Cagece de aumentar, em média, 12,9% a tarifa de água em 151 municípios cearenses.
 
Também será aplicada uma tarifa de contingência. A partir do consumo do período entre outubro de 2014 e setembro de 2015, cada usuário terá uma meta de consumo. O valor será correspondente a 90% da média mensal do intervalo.
 
Caso o consumidor utilize mais que a meta, o excedente será calculado com uma tarifa 120% maior que a regular. A Cagece deve especificar a sobretaxa separadamente na fatura.

Até serem aplicadas de fato, as duas tarifas ainda passam por audiências públicas e avaliação final de cada reguladora. Levando em conta os trâmites burocráticos, a expectativa é de que as contas com vencimento a partir da segunda quinzena de dezembro já venham com o novo cálculo.

Frase
"EU AINDA NÃO SEI O QUE MAIS POSSO FAZER PARA DIMINUIR MAIS O QUE JÁ TINHA DIMINUÍDO. É COMPLICADO PRA QUEM JÁ PENSAVA DESSA FORMA”.

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