domingo, 8 de novembro de 2015

Dezenas de mães que perderam seus filhos no cotidiano de violência nas favelas do Rio de Janeiro tiveram a possibilidade, na última sexta-feira, de relatar suas tragédias à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assassinato de Jovens. A audiência da CPI ocorreu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil no estado, e contou com representantes do governo, do Judiciário, da polícia, de organizações de defesa dos direitos humanos e de familiares de vítimas da violência policial. Em debate, a política de segurança pública.

Entre os familiares das vítimas, em comum, além da revolta, ficou evidente a sensação de impunidade e o desejo de justiça. Presidida pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), a CPI do Assassinato de Jovens tem feito audiências fora de Brasília para colher dados e ouvir a população local..
 
Valor do filho
Uma das vozes ouvidas foi a da moradora da favela de Manguinhos, Ana Paula de Oliveira, mãe de Jonathans de Oliveira, morto aos 19 anos, em maio do ano passado, com um tiro nas costas dado por um PM. “É preciso união contra esse discurso da impunidade. A vida dos nossos filhos também é importante. A vida na favela vale tanto quanto a vida num condomínio de luxo“, reclamou.

Emocionada, Terezinha Maria de Jesus, mãe de Eduardo de Jesus, de 10 anos, também protestou. O menino foi assassinado por policiais na porta de casa, no Complexo do Alemão, em abril. O inquérito foi encerrado recentemente, sem indiciar ninguém, o que causou revolta dos parentes.

O relator da comissão, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), responsável por pedir a realização da audiência no Rio de Janeiro, afirmou que o caso de Eduardo não pode ficar impune e que vai lutar pela reabertura das investigações. O senador também criticou propostas de mudança na maioridade penal e de flexibilização do Estatuto do Desarmamento e defendeu uma reforma no sistema policial brasileiro.

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