CENTROS SOCIOEDUCATIVOS
Unidades vivenciam cenário de instabilidade
Vários agentes educativos pararam as atividades, ontem, durante ato de protesto em frente à Secretaria
00:00 · 17.11.2015 / atualizado às 00:03
Em menos de duas semanas, os centros socioeducativos cearenses, que abrigam, hoje, centenas de adolescentes em conflito com a lei, viram uma situação historicamente difícil se tornar insustentável. Um adolescente morto e dezenas de feridos durante mais um motim, unidades depredadas, internos transferidos para cárceres improvisados, e, por fim, instrutores presos no último domingo (15) acusados de tortura e maus tratos. Em reação, nesta segunda-feira (16), dezenas de profissionais da categoria paralisaram atividades e protestaram, em frente à Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento (STDS), contra as detenções, pedindo a soltura dos colegas.
O sistema, já em seu limite, entrou, mais uma vez, em crise. Mesmo com a criação de um plano emergencial para controlar a tensão que se instalou nas unidades desde o último dia 6, quando um motim (o mais recente dos cerca de 40 registrados neste ano), resultado da superlotação nas unidades, acarretou o óbito de um dos internos, o cenário nos centros é de instabilidade.
Para César Barreira, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), é justamente a falta de estrutura, aliada à ausência de capacitação dos profissionais que atuam nos centros, um dos principais motivos da crise atual, à qual ele se refere como falência do sistema. "É como se os centros socioeducativos vivessem em um barril de pólvora. Os jovens contestam demandas que são lacunas nas unidades, como a lotação e a falta de água, por exemplo. Quando não se tem pessoas qualificadas nem condições para lidar com isso, é uma porta aberta para conflitos", afirma.
Capacidade
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