AFASTAMENTO DO PRESIDENTE
Cid cobrou e direção do PDT ficou contra Eduardo Cunha
Por certo não ficará apenas com a nota oficial, o PDT vai ser cobrado por Cid e Ciro a endurecer contra Cunha
00:00 · 25.10.2015 por Edison Silva - Editor de Política
Sábado, 17 do corrente, Cid Gomes, em discurso na convenção estadual do PDT, em Fortaleza, fez sua primeira cobrança ao novo partido, onde hoje milita. O ex-governador do Ceará, ao se reportar pejorativamente ao presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Eduardo Cunha, em tom exclamativo, lamentou o fato de o seu grêmio ainda não ter se manifestado contra a permanência de Cunha no comando de uma das Casas do Congresso Nacional. Na quarta-feira, terceiro dia útil após sua demonstração de inquietação, a direção do PDT pediu, oficialmente, o afastamento de Eduardo Cunha, desafeto de Cid.
O PDT publicou uma nota, lida nos plenários da Câmara e do Senado Federal, por seus respectivos líderes, o gaúcho Afonso Motta, e o paranaense Acir Gurgaz. Cunha foi o responsável direto pela saída de Cid, neste ano, do Ministério da Educação, ao convocá-lo para confirmar ou não, no plenário da Câmara, se de fato dissera ser esta Casa integrada por uns "400 ou 300 achacadores". O cearense não só confirmou a afirmação como apontou o dedo para Cunha, nominando-o como tal, embora que com outras palavras. Se já não se admiravam antes, depois disso se tornaram, de fato, inimigos.
A nota do PDT pede o "afastamento imediato" de Cunha por quebra de decoro parlamentar, em face das denúncias do Ministério Público. "Através destes fatos, afirmamos que o deputado perdeu as condições políticas de se manter à frente da presidência da Câmara Federal e deve afastar-se das suas funções".
Além do discurso, Cid conversou sobre a posição do partido em relação a esse caso com Carlos Lupi, presidente nacional da sigla e o ministro André Figueiredo, em outras oportunidades, em Fortaleza. É possível que não tenha colaborado com a redação dela, mas ela saiu por sua causa, para mostrar sua influência nacional no PDT ao lado do irmão Ciro, hoje praticamente consolidado na posição de candidato à sucessão presidencial.
Fragilidade
Eduardo Cunha está se mantendo no cargo, e com o mandato, só por conta da situação de fragilidade do Governo da presidente Dilma, como ele, não pelas mesmas razões, mergulhado em acusações e sem o apoio político necessário a que ela, com a autoridade reclamada a qualquer chefe de Executivo, aliado ao equilíbrio e o discernimento necessários reúna forças e confiança para permitir aos liderados e a outras forças políticas a defenestrá-lo do cargo, sem a delonga de um processo judicial, indispensável à condenação de qualquer um outro cidadão.
Ao político, detentor de mandato, envolvido em ações criminosas de desvio de recursos públicos, pela nobreza da missão a que se propôs cumprir - defender os interesses da sociedade, o gravame do delito combinado com suas consequências para as camadas sociais mais vulneráveis, fica difícil beneficiá-lo com o seguinte dispositivo da Constituição brasileira: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Ao cidadão comum, com ou sem dificuldade de sobrevivência, este e outros pontos da Constituição são uma necessidade à sua honra, dignidade e segurança. A conivência e a leniência com ações de políticos afrontam a Constituição quando ela diz que "todos são iguais perante a lei...".
Secretário
O deputado federal Adail Carneiro (PHS) agora vai ser secretário estadual. O suplente Paulo Henrique Lustosa (PP) foi informado, por quem de direito, de estar sendo efetuada uma operação que o permitirá assumir, a partir do início de novembro, uma cadeira na Câmara dos Deputados, com a licença ou de Adail, já adiada mais de uma vez, ou do próprio Ariosto Holanda ou do deputado Leônidas Cristino. A mesma notícia foi dada ao presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, com quem foi acertado o acordo para o PP, presidido no Ceará pelo Padre Zé Linhares, ter outros dirigentes também liderados do ex-governador Cid Gomes.
Adail acertou tudo com o prefeito Roberto Cláudio e com o ex-governador Cid Gomes, para ser secretário municipal. Uma mensagem chegou a ser encaminhada à Câmara Municipal, como anunciado pelo Diário do Nordeste, criando a nova secretaria. Houve mais uma ponderação de Adail e a questão passou para a esfera do governador Camilo Santana. Não será criada uma nova secretaria para efetivar o entendimento com o PP. Na estrutura do Estado existem assessorias com status de secretário e uma delas será para Adail como foi uma outra para o deputado Antônio Balhmann.
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