Ausência de amparo legal
Justiça indefere remição de pena a condenado por chacina de portugueses em Fortaleza
Levi de Freitas | 16h03 | 26.05.2015
Luiz Miguel Militão Guerreiro foi condenado em 2002 a 150 anos de prisão
A Justiça indeferiu pedido de remição de pena do homem
condenado por assassinar
seis empresários portugues na Praia do Futuro, em
Fortaleza, no ano de 2001. A decisão coube ao juiz Luiz
Bessa Neto, titular da 1ª Vara de Execução Penal da
Capital.
O detento Luiz Miguel Militão Guerreiro foi apenado em 2002 a 150
anos de reclusão em regime fechado pelas mortes dos estrangeiros. Ele
alegou estar disposto a trabalhar na unidade prisional em que está recolhido.
Entretanto, o local não possui oferta de trabalho. Desta forma, Militão
considerou ter sido prejudicado pela falta de estrutura do Estado que não
permitiria trabalhar para ter abatimento dos dias e horas de prisão.
Conforme o magistrado, a ausência de condições para trabalho não
justificariam a redução da pena, com base no artigo 126 da Lei de Execuções
Penais.
“Como se depreende do aludido artigo, efetivamente vislumbra-se a
necessidade da atividade laboral de fato, para que se realize a remição da pena
do reeducando. Desta forma, inviável a remição presumida ou ficta pretendida no
caso em tela”, explicou.
O juiz sugeriu que a direção do presídio inclua Militão em alguma atividade
laborativa interna.
O crime
Em 12 de agosto de 2001, os seis empresários portugueses António Correia
Rodrigues, Vitor Manuel Martins, Joaquim Silva Mendes, Manuel Joaquim Barros,
Joaquim Fernandes Martins e Joaquim Manuel Pestana da Costa foram assassinados
em uma barraca da Praia fo Futuro.
O crime foi planejado por Luís Miguel Militão, também de nacionalidade
portuguesa. Ele convidou
as vítimas a visitarem Fortaleza e os convenceu a dispensar agência
de turismo, atraindo-os à barraca de praia, com a promessa de que encontrariam
mulheres.
Ao chegarem ao local, um assalto foi simulado e os seis portugueses,
juntamente com Luiz Miguel, foram feitos reféns em um compartimento da barraca.
Militão foi logo libertado e os portugueses foram agredidos, levando pauladas na
cabeça, sendo, em seguida, enterrados vivos e colocado cimento nobre a cova.
Enquanto isso, Militão usava os cartões de crédito dos portugueses para sacar
dinheiro.
O mentor do crime foi preso em 23 de agosto e confessou à Polícia Federal
(PF) ter sacado R$ 46 mil das vítimas.
Além de Militão, Manoel Lourenço, Leonardo Sousa Santos e José Jurandir
Pereira Ferreira foram condenados a 120 anos. Raimundo Martins, apontado no
processo como o mais violento de todos, pegou 162 anos.
Em 2012, Militão entrou com pedido para sair
da reclusão para cursar Geografia na Universidade Federal do Ceará
(UFC). O pedido foi deferido pelo mesmo juiz Luiz Bessa Neto. De acordo com a
decisão, o preso seria acompanhado por uma forte escolta composta por dez homens
da Polícia Militar (PM), sendo um oficial, e estes, à paisana, deverão se
comportar de forma não ostensiva para não causar constrangimento ao local nem
para a integridade física e moral do assassino.
Após muita polêmica, Militão desistiu de ingressar na faculdade federal.
Após muita polêmica, Militão desistiu de ingressar na faculdade federal.
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