terça-feira, 23 de setembro de 2014

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Ceará ainda precisa vencer desafios

23.09.2014

O Estado está entre os três maiores transplantadores do País, mas muito ainda precisa melhorar

Image-0-Artigo-1705188-1
Barroso tornou-se presidente da Associação de Transplantados Cardíacos do Ceará
FOTOS: ALEX COSTA
Image-0-Artigo-1705204-1
André Matos doou medula óssea e acredita que todos devem se colocar no lugar do receptor
Image-0-Artigo-1705210-1
Manuel Antônio veio de Teresina, no Piauí, para o transplante de fígado, que aconteceu há um mês
Nesta semana, diversas ações de estímulo à doação de órgãos estarão em pauta. Ontem, foi lançada, no auditório do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), a XVI Campanha Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. Na cerimônia, a secretária adjunta da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Lilian Alves Amorim Beltrão, ressaltou que o Ceará está entre os três estados brasileiros que mais transplantam, mas reconheceu alguns desafios.
"Precisamos resolver o problema da falta de medicamentos pós-transplante. Isso vem acontecendo de forma recorrente e não é possível que a gente faça investimento alto em transplante para que dê errado por falta de medicamento. Estamos discutindo isso com o Ministério da Saúde", prometeu. Ela garantiu que o Ceará precisa investir em pessoal para melhorar a manutenção do doador para ter um aproveitamento melhor dos órgãos.
Para a coordenadora da Central de Transplantes, Eliana Barbosa, o Estado alcançará a meta de realizar mais de mil transplantes neste ano, mas muito ainda precisa ser feito no intuito de informar a população sobre doação de órgãos. "Precisamos melhorar nossa taxa de negativa familiar que é alta, cerca de 40%. Queremos chegar a 20%. E isso só se faz com informação e sensibilização", ressalta.
A doação de córneas ainda é um empecilho. A família do doador ainda tem receio de doar, e a fila de espera é grande. Tanto que mais um banco de olhos será inaugurado amanhã, em Sobral. "Esperamos zerar essa fila. É nossa meta há três anos", pontua Eliana. Contudo, quando se fala no banco de medula, muitas conquistas: já existem mais de 130 mil voluntários cadastrados.
"Isso é resultado de campanhas individuais e de grandes ações, como a campanha Doe de Coração. Elas estimulam a doação de órgãos e sensibiliza a população a entrar nesta luta que temos de transformar a fila de espera numa fila da esperança", pontuou Eliana.
O Movimento Doe de Coração vem levantando a bandeira em prol da doação de órgãos e tecidos e neste mês celebra a sua 12ª edição com saldo positivo. A campanha se tornou referência em todo o País e é realizada pela Fundação Edson Queiroz desde 2003, contando com apoio dos principais órgãos da área.
"Sabia que a minha hora  ia chegar"
Quando alguém pergunta ao aposentado Raimundo Barroso Filho qual sua idade ele responde de pronto: "seis anos". Desde 2009, ele carrega um coração novo e reconta os anos de vida. Há oito anos, teve um infarto, recebeu o diagnóstico de cardiomegalia, fez duas cirurgias de ponte de safena e esperou oito meses pelo transplante.
"Cheguei a receber uma ligação de que faria meu transplante. Mas a família do doador desistiu. Minha família ficou arrasada. Eu não. Sabia que minha hora ia chegar. Dois meses depois, meu coração chegou. Foi de um rapaz de 23 anos, um coração novinho", brinca.
Barroso lembra que, quando acordou da cirurgia, só conseguiu sentir felicidade. Ele faz sua campanha particular. Já convenceu a família e desconhecidos a doar e brinca que é um homem de sorte e coração grande. "Tive a sorte de conhecer a família do meu doador. Tenho três mães: a minha mãe biológica, minha madrasta e a mãe do meu doador".

Nenhum comentário:

Postar um comentário