CANDIDATOS AO GOVERNO
Propostas não aprofundam soluções para gargalos do CE
22.09.2014
Especialistas acreditam ser necessário ampliar a discussão sobre temas centrais da gestão pública do Estado
Com a tarefa nem tão simples de atrair a atenção do eleitorado, candidatos ao Governo que polarizam a disputa no Ceará têm apresentado propostas de saúde, educação e segurança pública que minimizem as demandas do Estado. Entrevistados pelo Diário do Nordeste, especialistas apontam a falta de profundidade das discussões e a ausência de debates sobre temas que não têm cunho eleitoreiro, como a burocracia da gestão pública, mas que são relevantes para definir prioridades em políticas públicas e investimentos.
O professor de contabilidade pública e controladoria da Universidade de Fortaleza, Paulo Roberto Nunes, acredita que a instrumentalização do Estado é um tema que não ganha destaque nas discussões eleitorais. "Os servidores públicos, sejam técnicos ou gestores, precisam de um melhor nível de qualificação", opina. Ele acrescenta que o debate sobre modelos de gestão é mais restrito às empresas privadas do que aos órgãos públicos.
"Há uma lacuna muito grande nas proposições referentes ao processo de gestão, como a administração vai ser organizada, como técnicos e gestores serão capacitados ou como serão as decisões colegiadas. O processo de gestão vai além da realização de concurso público, deve haver uma manutenção", explica Nunes, que também é auditor de controle interno na Controladoria Geral do Estado (CGE).
Desigualdades
Paulo Roberto Nunes afirma que os projetos para reduzir as desigualdades socioeconômicas nas regiões do Estado poderiam ser mais bem abordadas pelos candidatos. "As propostas poderiam focar mais na necessidade de como definir ações para diminuir desigualdades regionais. Temos regiões mais desenvolvidas, como Cariri e Região Metropolitana de Fortaleza, mas há outras muito carentes", atesta.
O sociólogo Estevão Arcanjo, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que os projetos de Camilo Santana e Eunício Oliveira não podem ser considerados uma ruptura ao modelo de governar o Estado nas últimas décadas tampouco se colocam como forças contrárias. "O projeto de governo das mudanças, encabeçado pelo Tasso, ainda não foi superado. É o mesmo projeto para a fruticultura, infraestrutura industrial, porto, Siderúrgica, Refinaria e turismo", sentencia.
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