ALERTA
Cigarro vicia mais do que cocaína
03.09.2014
Brasília. Relatório preparado pela organização de controle do tabagismo Campanha Crianças Livres do Tabaco (CTFK) lançado ontem, no Brasil, mostra que cigarros estão mais viciantes e perigosos. Feito a partir da análise de pesquisas científicas e de documentos fornecidos pela indústria do tabaco, o trabalho afirma ser mais fácil tornar-se dependente de cigarro do que de cocaína e de heroína.
A mudança é resultado de estratégia adotada pelas companhias. Ao longo dos últimos 50 anos, assegura o relatório, os produtos passaram a apresentar um teor maior de nicotina, tiveram a inclusão em sua fórmula de amônia e açúcares, que aumentam seu efeito e tornam a fumaça mais fácil de ser inalada.
O próprio formato do cigarro mudou: produtos passaram a trazer filtros com pequenos orifícios, muitas vezes imperceptíveis, que levam o fumante a aumentar o volume e a velocidade de aspiração. Alta engenharia para aumentar a atratividade, facilitar o consumo e a dependência.
"Nicotina e heroína apresentam mecanismos semelhantes para o desenvolvimento da dependência", afirmou um dos autores do relatório, o professor da Universidade da Califórnia David Burns. Ele observou, no entanto, que o número de experimentadores de cigarro que se tornam dependentes é maior do que os que entram em contato com a heroína pela primeira vez.
Segundo o relatório, os teores de nicotina dos cigarros aumentaram 14,5% entre 1999 e 2011. Substância encontrada naturalmente na planta do tabaco, a nicotina, quando chega aos pulmões, é absorvida pela corrente sanguínea e em segundos é transportada para o cérebro. Os sintomas de abstinência surgem logo nas primeiras horas depois de parar de fumar.
A amônia acrescentada ao tabaco aumenta a velocidade com que a nicotina chega ao cérebro e a sua absorção, o que torna a sensação de prazer mais rápida e mais intensa. O componente também torna a fumaça do cigarro mais suave, o que facilita a sua inalação pelos pulmões.
Além da maior capacidade de desenvolver dependência, as mudanças ampliaram o risco de câncer de pulmão. "As misturas do tabaco e os aditivos tornaram a fumaça do cigarro mais fácil de ser inalada, aumentando os níveis de nicotina no sangue e no cérebro. Outros agentes potencializaram o impacto da nicotina, como o acetaldeído produzido com a queima do açúcar adicionado ao cigarro. Tudo isso aumenta o risco de dependência", disse Burns.
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