sexta-feira, 19 de setembro de 2014

60% da população ativa do Ceará recebem no máximo um salário mínimo

19.09.2014

Mais de 2,3 milhões de cearenses com dez anos ou mais viviam com apenas R$ 678 por mês em 2013, ou até menos do que isso. Desses, 568 mil não tinham sequer uma remuneração

negocios capa
Apesar de a renda da população cearense vir crescendo ao longo dos últimos anos, a situação financeira da maioria dos trabalhadores do Estado ainda está muito longe de ser tranquila. Para se ter uma ideia, mais de 2,3 milhões de pessoas - o que representa 60% da população ocupada de 10 anos ou mais de idade no Ceará - recebiam, no ano de 2013, até um salário mínimo por mês (R$ 678 na época) ou não tinham qualquer rendimento oriundo do trabalho. As informações constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além das pessoas que de fato não possuem nenhum tipo de renda, a Pnad também considera sem rendimento quem recebe apenas benefícios governamentais, tais como o Bolsa Família. Em 2013, segundo a pesquisa, 568 mil cearenses estavam nessa situação, o que representa 14,3% do total da população ocupada de 10 anos ou mais no Estado. Segundo o levantamento, outros 45,7%, ou mais de 1,8 milhão de trabalhadores cearenses, viviam com remuneração de até um salário mínimo por mês.
Para o economista Alex Araújo, um dos fatores que podem ajudar a explicar a elevada parcela da população cearense que ainda vive com até um salário mínimo por mês é a forte dependência que muitos têm das atividades agrícolas. "No geral, essa renda é baixa e incerta, até porque vivemos em uma área com muitas variações climáticas. Isso fica ainda mais evidente quando pegamos a porcentagem de pessoas sem rendimento no Ceará como um todo e comparamos com os dados da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde a parcela de pessoas nessa situação é bem menor", diz.
RMF com índice melhor
Os próprios dados da Pnad confirmam o posicionamento de Araújo. Isso porque, segundo a pesquisa, apenas 2,81% das mais de 2 milhões de pessoas ocupadas na RMF estavam sem rendimento em 2013 - média 11,49% inferior à estadual. Ainda na Região Metropolitana, 836 mil trabalhadores recebiam até um salário mínimo por mês, o que representa 40,6% do total - também abaixo da média do Ceará nesse quesito.
"Um dos desafios que temos é ter um desenvolvimento melhor distribuído no interior, com alternativas que não dependam da subsistência", afirma Araújo. Outro ponto citado por ele para explicar os baixos rendimentos é a carência de vagas com melhores remunerações, o que "obriga muitos trabalhadores a venderem o trabalho braçal". "Basta ver o peso que a construção civil ainda tem na oferta de mão de obra. Isso acaba afastando muitos da capacitação", analisa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário