quinta-feira, 21 de agosto de 2014

HIV/AIDS

Mortes aumentam 69% em 10 anos

21.08.2014

Em 2003, 204 pessoas faleceram, 2013, esse número pulou para 346, apesar dos remédios que controlam o vírus

estigmas da dor
Solimar diz que sua esperança é voltar conviver com os filhos
FOTOS ALEX COSTA
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Lucilene recebe os medicamentos que compõem o coquetel de seu tratamento: "todo mês veio de Tauá para o Hospital São José, aqui eu sou bem tratada. Tenho esperança de um dia volta r a ser feliz", declara emocionada
No princípio, era o fim. Quem recebia um diagnóstico positivo para o HIV não pensava mais em vida e sim em morte. Relata a enfermeira, Maria Juliana (nome fictício), ao lembrar o filho, Pedro, vítima da Aids nos anos 80. Com medo de preconceito, ela pediu para não ser identificada. "Apenas quero contribuir para alertar sobre essa epidemia que ainda leva muita gente para o isolamento social, que é o corredor do cemitério e à morte como certeza, deixando mães como eu, chorando a ida dos seus não pela doença, como também pelo forte estigma", emociona-se.
Maria afirma que ainda hoje o preconceito e a desinformação sobre o vírus e a doença levam à depressão e a exclusão das pessoas que tomam o coquetel e lutam para continuarem vivas. "Os números de casos e mortes são muito altos ainda", aponta.
E são mesmo. De acordo com os dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), o Estado contabiliza 13,2 mil casos entre 1985 e 2013. Nesses 28 anos, foram 3,6 mil mortes. Uma média de 200 mortes anuais. E, pior. Nos últimos dez anos, entre 2003 e 2013, houve um aumento nos casos de óbitos de 69,9%. O total saltou de 204 para 346 no ano passado, sendo 234 homens e 122 mulheres.
Lucilene Francisco Mendes completou recentemente 25 anos de idade. Aos 18 já era viúva. Perdeu o marido para a Aids. Seis meses depois de casar, ele teve a confirmação da doença. Já era tarde para ela, também foi contaminada sem nem ter chances de prevenção. "Fui criada dentro da igreja, não sabia nada da vida. Romildo foi meu primeiro e único homem. Ele chegou, me viu, falou com minha família e eu tive que casar. Depois soube que era ex-detento", relata.
Natural de Tauá, Lucilene busca força na religião. Desde que teve o diagnóstico positivo do HIV, há sete anos, procurou ajuda no Hospital São José, onde o marido faleceu, em 2010. Todo mês vai buscar os medicamentos enfrentando um longo caminho. "Saio de Tauá no ônibus das 22 horas, chego aqui quatro da manhã, fico na rodoviária até às 6 horas e vou para o São José, onde pego os remédios e volto para a rodoviária. Não tenho saída. É o meu destino, tenho que cumprir. Sei que cura não existe ainda, os remédios são só para adiar a morte. Mais tenho esperança, essa é a única que nunca vai fugir de mim", diz, chorando.
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