sexta-feira, 22 de agosto de 2014

CAMINHOS

Descentralizar atendimento é uma saída, dizem especialistas

22.08.2014

A ampliação de centros de referência para o HIV/Aids, hanseníase e tuberculose e de testes rápidos são alternativas

Serie: Estigmas da dor
Solidariedade é um dos fatores mais importantes para quem enfrenta uma enfermidade
FOTO FABIANE DE PAULA
Em uma coisa especialistas e o Ministério da Saúde concordam: não é possível dissociar direitos humanos e enfrentamento às doenças como HIV/Aids, tuberculose e hanseníase no Brasil. O estigma e a discriminação constituem sérios obstáculos à promoção do acesso universal. Além disso, muitas vezes a segregação em razão das enfermidades é somada a outras, acentuando o impacto das doenças.
Na avaliação de médicos cearenses, como o diretor do Hospital São José, Roberto da Justa, e da infectologista Janaína Aparecido, é preciso investir na descentralização e na capacitação de profissionais de saúde para evitar a transferência de responsabilidades e promover as corresponsabilidades. "A maioria dos pacientes pode e deve ser atendida de modo resolutivo nas unidades básicas", asseveram.
Além disso, defendem o fortalecimento do sistema laboratorial e a ampliação dos testes rápidos, principalmente no caso da HIV/Aids e maior ênfase nas campanhas de esclarecimentos sobre essas enfermidades, inclusive nas escolas e empresas.
Se o programa brasileiro de tratamento gratuito contra a Aids, criado em 2001, é referência no mundo todo, a rede de prevenção à doença e assistência aos pacientes ainda enfrenta falhas. Essa distribuição é extremamente desigual, apontam os especialistas. E de acordo com eles, as discrepâncias podem ter tido peso importante no aumento dos novos casos de HIV registrados no País nos últimos anos. A alta nos registros, revelada em relatório recente das Nações Unidas, vai na contramão da tendência mundial de queda. Enquanto o País viu o número de novos casos crescer 11% entre 2005 e 2013, o mundo reduziu a taxa em 27% no mesmo período.
As piores situações são encontradas nos Estados do Norte e Nordeste, exatamente onde as taxas de novas infecções por HIV mais cresceram nos últimos anos. A rede pública oferece dois serviços para tratamento: os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), voltados para prevenção e diagnóstico, e os Serviços de Assistência Especializada em DST/Aids (SAEs).

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