domingo, 9 de junho de 2013

GOVERNABILIDADE

Para analistas, Dilma passa por pior momento

09.06.2013
Como prova da falta de acordo com a base, o governo tem tido dificuldades na tramitação de matérias

O caminho ortodoxo da política econômica trilhado pelo governo Dilma tem recebido críticas dentro da própria gestão FOTO: AGÊNCIA BRASIL

São Paulo A presidente Dilma Rousseff, no pior momento de seu governo encurralada por uma economia fraca e ressentimentos na base aliada, terá que adotar um tom ainda mais conservador na política econômica e desencantar as promessas de maior interlocução com os partidos que a apoiam.

Diante de um cenário em que os obstáculos à sua frente parecem se avolumar, o governo Dilma já começou a trilhar um caminho mais ortodoxo na política econômica, embora analistas afirmem que um aperto fiscal ainda é o elo perdido no conjunto de medidas adotadas nas últimas semanas.

Além disso, há críticas dentro do próprio governo ao excesso de intervencionismo e estímulos setoriais seguidos, que estariam deixando empresários em compasso de espera para investir, na expectativa de também serem beneficiados.

No Congresso - terreno pantanoso para a presidente desde sua posse -, o governo tem buscado alterar parte do receituário adotado desde janeiro de 2011, quando a presidente tomou posse. Mas como Dilma acenou com mudanças na relação com os aliados em outros momentos, os parlamentares ainda estão ressabiados se novamente não estão diante de uma promessa vazia.

Parte da mudança passa por aumentar o ritmo de liberação de emendas parlamentares, negociar previamente com as lideranças temas mais espinhosos e ampliar a dose de carinho com os aliados, levando-os em viagens e inaugurações pelo país, repartindo parte do capital político de Dilma.

"Esse é o pior momento do governo. Se você pegar o bloco dos oito anos do governo Lula e dos dois anos e meio do governo dela, pior do que esse momento só mesmo aquele processo do mensalão", disse o cientista político do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Carlos Melo.

Como prova da falta de acordo com a base, o governo tem visto a tramitação de matérias que considera prioritárias tornarem-se verdadeiros engodos no Congresso. A arrastada aprovação da medida provisória que criou um novo marco regula- tório para o setor portuário, poucas horas antes de perder validade, e duas outras MPs que perderam o prazo - a que garantia a redução da conta de luz, uma bandeira de Dilma, e a que desonerava a folha de pagamento de vários setores da economia - deixaram Planalto em alerta.

Favoritismo
O cenário atual, embora desfavorável para o governo, ainda indica favoritismo de Dilma na disputa eleitoral. Isso porque o nível de emprego ainda é elevado e os adversários da presidente ainda não mostram força.

"O que estamos vendo é que 2014 deve ser mais competitivo do que em 2010", disse o analista Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário