PREJUÍZO
Produção de rosas cai 30% com a estiagem
15.04.2013
Poços secam e a produção que era de 188 mil hastes de rosas por dia despencou para 132 mil
Diante do longo período de estiagem no Ceará, a produção de rosas na Serra da Ibiapaba já reduziu em 30%, segundo o presidente da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais, Paulo Selbach. Nos 70 hectares de área coberta de rosas em estufa na região, ele projeta que a produção tenha caído de 188 mil hastes por dia para em torno de 132 mil. Na empresa comandada por ele - a Cearosa -, dos oito poços profundos disponíveis, três secaram. Já os pequenos produtores, destaca Selbach, são os mais afetados.
Apesar da queda, o Ceará continua sendo o segundo maior produtor de rosas do Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais. Com a seca, a qualidade da mercadoria também piorou FOTO: SILVANA TARELHO
"Normalmente eles trabalham em campo aberto e poço profundo custa caro. O governo não dá a assistência necessária que deveria dar ao pequeno produtor para desenvolver o negócio", reclama. Segundo Selbach, alguns, inclusive, tiveram que suspender os trabalhos.
Estado ainda é 2º maior
Mesmo assim, o Ceará continua como o segundo maior produtor de rosas no País, atrás apenas de Minas Gerais.
Selbach afirma que a principal dificuldade tem sido manter a qualidade das rosas, já que não é possível ter a umidade ideal dentro da estufa. "Usamos menos água que a agricultura normal, mas sofremos muito com a seca exatamente porque precisamos de água para manter a umidade relativa dentro das estufas. A planta está tomando água, mas o ambiente não está propício", destaca.
De acordo com ele, a umidade relativa na Serra da Ibiapaba, fora de uma estufa, já chegou a alcançar 20%.
"Como manter 70% dentro de uma estufa sem água?", questiona. A articuladora de Cadeias Produtivas de Flores e Mel da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Ticiana Batista, confirma que o maior problema é a queda na qualidade do produto. "A produção caiu um pouco, mas não comprometeu significativamente. Em qualidade e em número de hastes por metro quadrado caiu, mas não deixou o negócio inviável", diz. Segundo ela, os produtores locais, sobretudo os maiores, têm suporte para manter a produção durante todo este ano.
Qualidade
A queda na qualidade do produto também é um dos maiores problemas indicados pela gerente de vendas da Flora Tropical, Silvania Nuto.
"Com a seca, o produto fica mais ressecado e não tem uma durabilidade muito grande. Quanto mais irrigada, melhor", afirma. Mesmo com as dificuldades, ela diz que a produção ainda não começou a cair, sendo em torno de 15 hectares de área plantada. Contudo, não existe perspectiva de novas expansões. Focada em flores tropicais, a empresa produz, na Serra de Baturité, até 80 toneladas por ano.
"Um lugar, que teria mais água, que tem um clima melhor, está com muita dificuldade. Ano passado, no segundo semestre, furamos dois poços de 80 metros de profundidade e a vazão foi muito pequena", diz.
Com uma produção iniciada no fim dos anos 1970, Silvania afirma que essa é a pior seca enfrentada pela empresa. "Venho sentindo que os mananciais da Serra estão diminuindo mais. Acho que é mais uma questão ecológica", destaca.
Preços sobem até 15%
O vice-presidente da Associação Cearense de Floristas, Roberto Ito, afirma que o fornecimento está prejudicado, principalmente dos produtos de folhagens e componentes - como haste, tango e gipsófila. Porém, ele afirma que ainda não foi preciso trazer de outros estados.
"Os preços das rosas subiram em torno de 15%. Para o Dia das Mães, a Associação entrou em negociação com alguns produtores para evitar a falta do produto e negociar um preço mais estável", diz. Para o período, foram fechados 23 mil botões com os 15 associados
.
Diante do longo período de estiagem no Ceará, a produção de rosas na Serra da Ibiapaba já reduziu em 30%, segundo o presidente da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais, Paulo Selbach. Nos 70 hectares de área coberta de rosas em estufa na região, ele projeta que a produção tenha caído de 188 mil hastes por dia para em torno de 132 mil. Na empresa comandada por ele - a Cearosa -, dos oito poços profundos disponíveis, três secaram. Já os pequenos produtores, destaca Selbach, são os mais afetados.
Apesar da queda, o Ceará continua sendo o segundo maior produtor de rosas do Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais. Com a seca, a qualidade da mercadoria também piorou FOTO: SILVANA TARELHO"Normalmente eles trabalham em campo aberto e poço profundo custa caro. O governo não dá a assistência necessária que deveria dar ao pequeno produtor para desenvolver o negócio", reclama. Segundo Selbach, alguns, inclusive, tiveram que suspender os trabalhos.
Estado ainda é 2º maior
Mesmo assim, o Ceará continua como o segundo maior produtor de rosas no País, atrás apenas de Minas Gerais.
Selbach afirma que a principal dificuldade tem sido manter a qualidade das rosas, já que não é possível ter a umidade ideal dentro da estufa. "Usamos menos água que a agricultura normal, mas sofremos muito com a seca exatamente porque precisamos de água para manter a umidade relativa dentro das estufas. A planta está tomando água, mas o ambiente não está propício", destaca.
De acordo com ele, a umidade relativa na Serra da Ibiapaba, fora de uma estufa, já chegou a alcançar 20%.
"Como manter 70% dentro de uma estufa sem água?", questiona. A articuladora de Cadeias Produtivas de Flores e Mel da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Ticiana Batista, confirma que o maior problema é a queda na qualidade do produto. "A produção caiu um pouco, mas não comprometeu significativamente. Em qualidade e em número de hastes por metro quadrado caiu, mas não deixou o negócio inviável", diz. Segundo ela, os produtores locais, sobretudo os maiores, têm suporte para manter a produção durante todo este ano.
Qualidade
A queda na qualidade do produto também é um dos maiores problemas indicados pela gerente de vendas da Flora Tropical, Silvania Nuto.
"Com a seca, o produto fica mais ressecado e não tem uma durabilidade muito grande. Quanto mais irrigada, melhor", afirma. Mesmo com as dificuldades, ela diz que a produção ainda não começou a cair, sendo em torno de 15 hectares de área plantada. Contudo, não existe perspectiva de novas expansões. Focada em flores tropicais, a empresa produz, na Serra de Baturité, até 80 toneladas por ano.
"Um lugar, que teria mais água, que tem um clima melhor, está com muita dificuldade. Ano passado, no segundo semestre, furamos dois poços de 80 metros de profundidade e a vazão foi muito pequena", diz.
Com uma produção iniciada no fim dos anos 1970, Silvania afirma que essa é a pior seca enfrentada pela empresa. "Venho sentindo que os mananciais da Serra estão diminuindo mais. Acho que é mais uma questão ecológica", destaca.
Preços sobem até 15%
O vice-presidente da Associação Cearense de Floristas, Roberto Ito, afirma que o fornecimento está prejudicado, principalmente dos produtos de folhagens e componentes - como haste, tango e gipsófila. Porém, ele afirma que ainda não foi preciso trazer de outros estados.
"Os preços das rosas subiram em torno de 15%. Para o Dia das Mães, a Associação entrou em negociação com alguns produtores para evitar a falta do produto e negociar um preço mais estável", diz. Para o período, foram fechados 23 mil botões com os 15 associados
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário