segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Ciro Gomes se defende de denúncias publicadas pelo O Globo



(Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)
Em vídeo publicado na sua página do Facebook no fim da tarde deste sábado (22), o candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes se defendeu das acusações de que teria recebido propina. A informação veio através de uma matéria feita pelo o Jornal O Globo publicada na mesma data. A matéria foi veiculada nos telejornais da TV Globo e o se declarou inocente.

De acordo com a reportagem, o ex-executivo da Galvão Engenharia, Jorge Henrique Marques Valença teria repassado dinheiro para Lúcio Gomes, que teria recebido R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo e captou R$ 5,5 milhões via doação oficial para o PSB. Além disso, na delação, o ex-executivo afirmou ter repassado dinheiro em troca da liberação de pagamentos de obras no governo do Ceará durante a gestão de Cid Gomes, outro irmão do presidenciável do PDT, entre os anos de 2007 e 2014. Apesar das acusações sérias, na delação o ex-executivo diz nunca ter conhecido o candidato à presidência.

No início da gravação Ciro faz questão de destacar que as coisas estão “caminhando bem” na campanha. A partir daí, inicia a sua defesa. “No desmonte que virou a política brasileira, em que uma parte do baronato do país não quer permitir que o povo vote com equilíbrio, com serenidade, escolhendo aquilo que for o melhor projeto e a melhor proposta, Tomei conhecimento agora de uma reportagem absolutamente mentirosa do Jornal O Globo, já reproduzida nos telejornais, e eu tou me antecipando”, falou o presidenciável no vídeo publicado às 18h20.

“Olhe nos meus olhos e leia nos meus lábios: nunca na minha vida me envolvi em qualquer tipo de corrupção ou escândalo”, argumenta o candidato, citando seus trinta e oito anos de vida pública, e suas passagens na política- ministro duas vezes, prefeito, governador e deputado.“Nunca fui processado por nenhum caso de corrupção, nunca! Nem para ser absolvido recebi qualquer tipo de acusação”, destacou.

Afirmando se tratar de uma mentira e falando como se sugerisse uma estratégia em lhe desqualificar nas vésperas da eleição, que acontecem daqui a 15 dias, o candidato defendeu seu irmão como alguém de patrimônio modesto e trabalhador. “É uma acusação que não se diz quem é que fez. Porque a mentira começa dizendo que é uma delação premiada de alguém que também diz que nunca me conheceu e que discutiu financiamento de campanha. A última eleição que eu participei foi em 2006. E se tudo isso fosse verdade, isso teria acontecido em 2012. Nós estamos em 2018, faltando quinze dias para as eleições vem com um papo desses, que ninguém assume?”, questionou o candidato.

Contra-ataque
Já no fim do vídeo, Ciro faz questão de tranquilizar seus eleitores dizendo que tomará as medidas cabíveis para repreender os que o acusam. “Não se preocupem, vai ser igual como eu sempre fiz: vou achar se algum desses canalhas tem coragem de colocar a cabeça e meter um processo nas costa dele”, e finalizou salientando a necessidade de esclarecer o ocorrido para seu eleitorado.

Veja o vídeo na íntegra 

ALTA NO COMBUSTÍVEL Preço da gasolina sobe e chega a custar R$ 4,79 em Fortaleza

O preço médio da gasolina sobe pela terceira semana consecutiva no Ceará, chegando a R$ 4,68 nos postos de combustíveis. No início do mês, o preço médio da gasolina estava em R$ 4,404 no Estado, conforme a agência Nacional do Petróleo (ANP). Em Fortaleza, é possível encontrar o combustível custando até R$ 4,79 nos postos.

O combustível no Ceará subiu, em média, 0,13 centavos em 4 semanas. Do dia 2 ao 8 deste mês, o preço médio estava em R$ 4,553; de 9 a 15, o preço médio estava em R$ 4,667.
Os dados fazem parte da pesquisa semanal realizada pela ANP. A agência consulta postos de combustível em todo o País. No Ceará, cerca de 217 estabelecimentos são avaliados.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Edição do Dia

Seis em cada dez desalentados do Brasil são nordestinos

ANA CAROLINA Silva decidiu melhorar a formação profissional para voltar a buscar emprego Mateus Dantas
ANA CAROLINA Silva decidiu melhorar a formação profissional para voltar a buscar emprego Mateus Dantas
O Nordeste concentra seis entre cada dez brasileiros denominados como desalentados (em idade ativa que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar uma vaga porque perderam a esperança). Os dados se referem ao segundo trimestre deste ano e apontam que, no período, o País registrou 4,83 milhões de pessoas nessa condição. Destas, 2,89 milhões estão no Nordeste.

A mostra, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identifica que mulheres (54,7%), quem não é chefe da casa (58,1%) e pessoas com idade entre 18 e 39 anos (55,8%) compõem o perfil principal dos desalentados. Não ter ensino fundamental completo também é realidade para 50% dos desempregados que não buscam mais ocupação.

A jovem Ana Karolina da Silva Pontes, 18, se encaixa em parte neste perfil. Ela foi demitida de um emprego numa lanchonete e há um mês, com as dificuldades impostas a quem busca uma colocação sem ainda ter o ensino médio completo, desistiu, por ora, de procurar novo emprego, até melhorar a formação.

Para Vitor Hugo Miro Couto Silva, coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC), "o Nordeste, historicamente, tem uma presença muito forte de setores industriais mais tradicionais que empregam mais mão de obra de menor qualificação". "Em um momento econômico como o atual, esta mão de obra é que fica mais suscetível ao desemprego", aponta. O que se sucede, sem qualificação suficiente, é a dificuldade de recolocação.

"O desemprego tem se mostrado elevado e duradouro. A crença que você não vai conseguir uma colocação frente à situação econômica e as condições precárias quando o emprego é oportunizado levam a essa situação de desalento", diz Erle Mesquita, coordenador de Estudos de Análise de Mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT).

Tempo
O estudo aponta que o tempo de permanência no desemprego tem aumentado, e vem crescendo a parcela de pessoas sem emprego cujo tempo de procura por colocação é maior que dois anos. No segundo trimestre de 2018, esse percentual foi de 24%

Reforma tributária e volta da CPMF pautam debate

O tema mais discutido no debate da TV Aparecida ontem à noite foi a reforma tributária. Diferentemente de programas anteriores, pautados em corrupção e segurança pública, o excesso de tributos e críticas à fala do assessor econômico de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, dominaram os discursos. Bolsonaro não participou da rodada porque segue internado, recuperando-se de atentado a faca.

Taxas e tributos serviram ainda como mote de embate entre Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), que participa de seu primeiro debate depois do impedimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. "Me desculpe, estimado amigo, mas agora vai uma pinicadinha. Por que razão o eleitor deveria acreditar nessas propostas na sua possível gestão se o seu partido esteve no governo por 14 anos e não fez?", questionou Ciro a Haddad. Os dois disputam votos para tentar chegar ao segundo turno. Ciro voltou a defender a simplificação de impostos e o IVA, que agrega cinco tributos em um só.

Haddad se defendeu ao dizer que Lula fez uma "espécie de reforma tributária às avessas", empoderando os pobres com programas sociais. O petista acenou ainda para governadores e prefeitos ao defender repasse mais estável e justo para estados e municípios, ideia defendida também por Marina Silva (Rede).

Líder das pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro viveu momento de fragilidade na campanha esta semana quando Guedes sinalizou intenção de recriar a CPMF. A candidatura do militar da reserva tem se baseado no corte e não aumento dos tributos. Marina Silva (Rede) aproveitou para criticar o adversário.

"Fiquei vendo essa confusão e, já no começo da história vejo que está tendo um incêndio no posto ipiranga. Sou contra a CPMF. A sociedade brasileira já paga muito tributo, recebe um péssimo serviço. Precisamos deixar de querer que cada vez mais os pobres paguem a conta", alfinetou Marina, referindo-se ao apelido dado pelo próprio Bolsonaro a Paulo Guedes, tratado como "posto ipiranga". Henrique Meirelles (MDB) aproveitou para completar o pensamento de Marina, dizendo que a população deveria ser "alertada" sobre a proposta da equipe de Bolsonaro.

Geraldo Alckmin (PSDB) protagonizou embate com Haddad. O petista tentou vincular a imagem do tucano ao impopular presidente Michel Temer (MBD). "(Somos) Contra a terceirização, que fragiliza o trabalho diante do capital, prática do PSDB. Contra o teto de gastos que congela por 20 anos as despesas com educação e saúde. Por isso o serviço público, com Temer e PSDB entrou em colapso", disse Haddad.

Alckmin rebateu: "Estamos frente a 13 milhões de desempregados, herança do PT de Dilma (Rousseff). O petrolão foi o maior escândalo. Não precisaria a PEC do teto se não fosse o vale-tudo do PT".

Álvaro Dias (Podemos) também aproveitou para se apresentar como anti-PT. "Haddad você vem para essa campanha com o porta-voz da tragédia o representante do caos. PT é a crença na ignorância", apontou.

Marina tentou se vender como uma terceira via entre a corrupção (PT, MBD, PSDB) e a violência (Jair Bolsonaro). Tanto a candidata como Guilherme Boulos (Psol) acenaram para o eleitorado feminino e defensores da demarcação de terras de povos indígenas. A programação na TV Aparecida não contou com a participação do candidato do Patriota, Cabo Daciolo, que continua em círculo de orações no Rio de Janeiro. O próximo debate será em 26 de setembro pelo SBT.

MAIS SOBRE O DEBATE

SAÚDE
Um dos temas pouco explorados nos debates anteriores, a saúde foi o tema eleito por Marina Silva e Ciro Gomes. Ambos defenderam a quebra de patente de remédios de alto custo. Marina anunciou que, se eleita, criará uma autoridade nacional para saúde, que será formada por concursados. Ciro disse que a licitação de medicamentos deve ser centralizada.

PSDB "tomará medidas" contra infiéis, diz dirigente

A indignação do candidato ao Governo do Ceará, General Theophilo (PSDB), sobre falta de apoio de prefeitos do próprio partido, foi endossada por correligionários. Como O POVO noticiou, na última segunda, 17, Theophilo afirmou que tem muitos prefeitos que deveriam estar apoiando sua candidatura, mas não estão.

"E não está por quê? Porque está sendo vendido para a situação, para o governador Camilo, que constrói uma estrada, que faz uma escola, que inaugura uma obra desnecessária", arrematou. Em reação, o governador Camilo Santana (PT) disse que processará o tucano.

O presidente estadual do PSDB, Francini Guedes, afirmou que a decisão de expulsão ou não caberá aos diretórios municipais. Disse, entretanto, que convocará reuniões para "tomar medidas" sobre a questão.

Questionado sobre quais municípios estariam sendo infiéis, tentou se esquivar, mas assegurou um: Jaguaribara, cidade de onde é ex-prefeito e que hoje é administrada por Joacy Junior (PSDB), conhecido como Juju.

O deputado Carlos Matos (PSDB) manifestou apoio a Theophilo. Ele avalia que o Governo age de "forma abusiva", inclusive nas prefeituras, o que considera uma ferida democrática.

Para o deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB), infidelidades partidárias acontecem, infelizmente, em função do quadro nacional e da legislação flexível. "Isso gera problemas em todos os partidos e em vários níveis".

O ex-governador Lúcio Alcântara (PSDB) apontou que Theophilo preza por disciplina e hierarquia. "Então ele se sente, se dói com isso". Alcântara lembra que a prática não é fenômeno novo e ressalta que a questão já foi superada pelo candidato. O ex-senador Luiz Pontes (PSDB) afirmou que, nestes casos, a medida a ser tomada é a expulsão.

Em 2016, o PSDB foi eleito em 15 Prefeituras: Aracoiaba, Barbalha, Barro, Capistrano, Carius, Coreaú, Cruz, Deputado Irapuan Pinheiro, Horizonte, Itapipoca, Jaguaribara, Morrinhos, Paracuru, Paraipaba e Trairi.

IBOPE
Divulgada no último mês de agosto, pesquisa Ibope sobre a corrida ao Palácio da Abolição mostrou Theophilo com 4% da preferência do eleitorado cearense contra 64% de Camilo.

Movimento contra "extremos" nasce para evitar duelo entre PSL e PT

01:30 | 21/09/2018
ALCKMIN E CIRO tentam se firmar como alternativas à polarização entre o PT de Haddad e o PSL de Bolsonaro MIGUEL SCHINCARIOL AFP
ALCKMIN E CIRO tentam se firmar como alternativas à polarização entre o PT de Haddad e o PSL de Bolsonaro MIGUEL SCHINCARIOL AFP
Com a possibilidade de um enfrentamento no segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), reforçada pelos institutos de pesquisa, forças de centro buscam um alinhamento em torno de uma candidatura viável para evitar que os "extremos" se enfrentem nas urnas no fim de outubro.

Fortalecendo o discurso de apoio a uma candidatura "moderada", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou carta aos brasileiros pedindo união dos presidenciáveis em torno de um nome que possa construir unidade contra o que chamou de "extremos": "Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez". FHC defendeu que o candidato com mais condições eleitorais deveria ser abraçado pelos presidenciáveis nesse momento.

"Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o País; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar", disse.

Para a socióloga Monalisa Soares, da Universidade Federal do Ceará, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, do ponto de vista da capacidade de união e viabilidade eleitoral, é quase inviável, pelo que mostram os últimos levantamentos de Ibope e Datafolha.

Sem a posição de força política em torno do antipetismo, o PSDB se perdeu, diz a pesquisadora, e "hoje Alckmin é o candidato com a maior dificuldade de avançar entre esses que estão posicionados" na luta por uma das vagas ao 2º turno.

A pesquisa Datafolha gerou ânimo ao presidenciável Ciro Gomes (PDT) e vai fazer o PDT direcionar a candidatura do cearense nas próximas duas semanas para uma espécie de terceira via contra os "extremos" e representar esse sentimento. O presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, disse ao O POVO que o discurso será focado para atrair eleitores que não são "coxinha" nem "mortadela". "Temos que atingir o petista lúcido e o tucano sem plumagem, os dois lados", adiantou.

No levantamento do Datafolha, Ciro aparece com 13%, em empate técnico com Fernando Haddad (PT), com 16%. Com a migração dos eleitores de Lula para Haddad, Ciro vê nos eleitores de centro a possibilidade de chegar ao 2º turno. De acordo com Lupi, o foco serão "aqueles que sabem que o Ciro indo para o 2º turno é o único que pode vencer o Bolsonaro".

Ciro deverá viajar pelo Nordeste e intensificar atos em São Paulo. Com o alinhamento do discurso de centro, o pedetista tenta ocupar esse espaço com a expectativa de união contra o líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL).

1° turno
Apesar do movimento, os candidatos João Amoêdo (Novo) e Marina Silva (Rede) já afirmaram publicamente que não desistem das candidaturas. Alckmin ainda crê que chegará ao segundo turno.


Justiça determina inclusão dos dez acusados na lista de procurados pela Interpol

AQUIRAZ,CE,BRASIL,18.02.2018: Local onde os dois corpos, de vítimas líderes do PCC, foram encontrados em mata fechada às margens da lagoa da Encantada, que fica a 35 minutos de caminhada da sede da reserva indígena Jenipapo-Kanindé. Aquiraz fica na região metropolitana de Fortaleza.  (fotos: Tatiana Fortes/ O POVO)
AQUIRAZ,CE,BRASIL,18.02.2018: Local onde os dois corpos, de vítimas líderes do PCC, foram encontrados em mata fechada às margens da lagoa da Encantada, que fica a 35 minutos de caminhada da sede da reserva indígena Jenipapo-Kanindé. Aquiraz fica na região metropolitana de Fortaleza. (fotos: Tatiana Fortes/ O POVO)
Os dez réus acusados de participação nas execuções dos traficantes Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Sousa, o Paca, ambos membros da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), terão os nomes incluídos na lista de procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Nove deles estão foragidos.

A determinação foi emitida pela 1ª Vara de Aquiraz e assinada pelo colegiado de três juízes que atua no processo. Datada do último dia 6 de setembro, a decisão de compartilhar os mandados de prisão no Canal de Difusão Vermelha da Interpol, que trata de casos de prisão de foragidos da Justiça, com vista à extradição, foi tornada pública somente na última quarta-feira, 19.
Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, chefões do PCC mortos em uma reserva indígena, em Aquiraz, litoral do Ceará, em 15 de fevereiro deste ano,  Tatiana Fortes
Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, chefões do PCC mortos em uma reserva indígena, em Aquiraz, litoral do Ceará, em 15 de fevereiro deste ano, Tatiana Fortes
Os magistrados argumentam que existem "indicativos de que os acusados estariam foragidos no exterior ou na iminência de fugir". Neste último caso, fazem referência ao piloto Felipe Ramos Morais, 31, único dentre os réus que está preso. Foi capturado em 14 de maio, em Caldas Novas (GO), quando negociava os termos de sua apresentação à Polícia.

O POVO apurou que Felipe, classificado na lista como "preso com risco de fuga", era mantido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, no Ceará, e foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima, no Rio Grande do Norte. Ele teve negado um pedido de revogação da prisão preventiva, no último dia 6.

Os juízes não detalharam os motivos pelos quais acreditam em risco de fuga do piloto, que contribuiu com as investigações do Ministério Público do Ceará (MPCE) e da Polícia Civil. Destacaram, porém, que a decisão complementa o recebimento da denúncia, em 17 de Agosto, quando foi decretada a prisão preventiva dos dez denunciados.

Todos são acusados de também pertencerem ao PCC, que tem atuação internacional e estaria garantindo abrigo ao grupo em "país estrangeiro ou mesmo em território brasileiro, na iminência de evasão". Conforme O POVO mostrou, em reportagem publicada no último dia 21 de agosto, o réu Gilberto Aparecido dos Santos, 48, apontado como mandante dos crimes, é considerado foragido desde 1999. Ele estaria na Colômbia.

Na decisão, os juízes demandaram que os nomes dos réus constem em consulta pública, no site da Interpol (www.interpol.int/en), e se comprometeram a "requerer formalmente a extradição, caso os procurados sejam localizados e presos no exterior", diz o texto.

Conforme informações prestadas ao O POVO pela Superintendência da Interpol no Ceará, uma difusão (divulgação) fica ativa por cinco anos, sendo elas renováveis ou canceladas, a qualquer tempo, a pedido da autoridade solicitante. Até o fechamento desta matéria, os nomes dos acusados ainda não constavam na busca disponibilizada no site.

OS NOMES QUE SERÃO INCLUÍDOS NA LISTA DA INTERPOL

Mandante

Gilberto Aparecido dos Santos, 48, o Fuminho. Foragido com prisão decretada. Teria ordenado os crimes. Foi acusado de duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, por organização criminosa e por manter uma casa de prostituição.

Planejamento e execução

André Luís da Costa Lopes, o Andrezinho da Baixada, 40. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

Erick Machado Santos, o Neguinho Rick da Baixada, 34.
Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, por organização criminosa e uso de documento falso.

Ronaldo Pereira da Costa, 33. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

Carlenito Pereira Maltas, 39, o Carlos ou Ceará. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

Tiago Lourenço de Sá de Lima, 31. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, organização criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Apoio na logística e fuga

Renato Oliveira Mota, 28. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

Denunciados por associação criminosa

Jefte Ferreira Santos, 21. Foragido com prisão decretada.
Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos, 45. Foragida com prisão decretada.

Ambos atuaram na logística de permanência do grupo no Ceará.

Único preso

Felipe Ramos Morais, 31, é piloto de helicóptero e guiou a aeronave utilizada na ação. Único preso, ele é mantido em uma penitenciária Federal. Denunciado por falsificação de documento público e por integrar organização criminosa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Edição do Dia
Edição do Dia

Ciro é o único que derrotaria todos os rivais no segundo turno

O presidenciável Ciro Gomes, do PDT, é o único candidato que venceria todos os adversários no segundo turno da eleição, segundo pesquisa da Datafolha, divulgada na madrugada de hoje.

Nos cenários testados pelo instituto para o segundo turno, Ciro é o único que venceria confronto com Jair Bolsonaro (PSL). Conforme o levantamento, Ciro tem 45% das intenções de voto, uma vantagem de seis pontos sobre Bolsonaro, com 39%.

Em outros cenários para o segundo turno, Ciro ganharia de Fernando Haddad (PT), por 42% a 31%, de Geraldo Alckmin (PSDB), por 41% a 34%, e de Marina Silva (Rede), por 45% a 31%.

O levantamento também mostra que, no segundo turno, Bolsonaro empataria com Haddad, com 41% cada, e ficaria tecnicamente empatado com Marina (42% a 41%) e Alckmin (39% a 40%, para o tucano). Alckmin, por sua vez, venceria Haddad (39% a 35%) e Marina (39% a 36%).

A menos de 20 dias para o primeiro turno das eleições, marcado para 7 de outubro, a pesquisa também revelou que o eleitorado de Ciro, Alckmin e Marina são os menos convictos. Mais da metade admite escolher outro candidato, e muitos têm trocado de opção nas últimas semanas. Admitem a possibilidade de mudar de voto 57% dos eleitores de Ciro, 58% dos de Alckmin, e 70% dos de Marina.

Bolsonaro registrou 76% de eleitores totalmente decididos a votar nele. Já Fernando Haddad tem 75% de eleitores convictos.

Do total de entrevistados pelo Datafolha, 42% não souberam dizer o número certo de seu candidato.
Com Agência Estado

Portugal abre novas chances de negócios para cearenses

Idioma semelhante, segurança legal e incentivos fiscais. Estas são as apostas de Portugal para atrair investidores no Ceará. A expansão desse mercado para o Brasil facilitou a entrada de empresários como Carlos Luna, que vai exportar o artesanato cearense para a Europa a partir do país lusitano. "Os europeus têm muito interesse pelos produtos brasileiros, e nós temos uma taxa de exportação pequena. Portugal acaba sendo a porta de entrada para a Europa", diz.

O tema foi debatido ontem, 19, pela Câmara Brasil-Portugal no Ceará (CBP-CE), no evento "De Portugal ao mercado global", na sede da Federação das Indústrias do Estado (Fiec). O empréstimo sem taxas de juros e reembolso de até 60% do valor contratado, caso o empreendedor alcance as metas estabelecidas, são alguns dos atrativos do mercado português.

As facilidades, explica a engenheira portuguesa Carla Maia, CEO da GOE Engenharia, visa impulsionar o incremento do capital brasileiro. "Em 2017, foram investidos 150 bilhões de euros. Um dos maiores investidores têm sido os brasileiros, seja na parte imobiliária ou em outros setores", diz, citando outros benefícios como a majoração de até 20% do valor total do investimento ao empresário.

O governo português também apoia financeiramente com até 45% de recurso (fundo perdido) para projetos de inovação via editais. Os benefícios, no entanto, são destinados aos investimentos implantados no Norte e Centro do país, por serem consideradas áreas menos desenvolvidas.

Para o presidente da Câmara Brasil-Portugal no Ceará (CBP-CE), Armando Abreu, os incentivos somam-se a outros fatores que tornam Portugal um terreno fértil para o cearense. "O Estado está vivendo um bom momento nos três âmbitos: comunicação, transporte aéreo e marítimo. Isso, ligado à proximidade geográfica que temos do País e ao fato de falarmos a mesma língua, cria uma série de condições favoráveis para que o empresário no Ceará pensar em investir em Portugal", observa.

Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiec, explica que essa é uma relação que tem sido fortalecida ao longo das últimas décadas. "Há 20 anos, quando iniciamos nossa primeiras operações com voos TAP, percebemos um incremento expressivo no que se refere aos investimentos", destaca.

Essas foram uma das razões que fizeram o empresário cearense Carlos Luna abrir negócio de venda online (marketplace) na cidade portuguesa Setúbal. "A questão organizacional foi um determinante. Por exemplo, se eu comprar um produto de peso maior em São Paulo, como um guarda-roupa, ele só chegará aqui (em Fortaleza) em 15 ou 20 dias. Se eu estiver em Paris e comprar de Portugal, em um ou dois dias chega", exemplifica.
Bruna Damasceno