terça-feira, 15 de janeiro de 2019

'Agora sei que vou para a prisão', diz Battisti ao desembarcar na Itália

01:30 | 15/01/2019
CESARE BATTISTI foi preso no sábado na Bolívia e desembarcou em Roma ontem Alberto PIZZOLI/AFP
CESARE BATTISTI foi preso no sábado na Bolívia e desembarcou em Roma ontem Alberto PIZZOLI/AFP
Cesare Battisti desembarcou na Itália aparentando tranquilidade e como se não estivesse sendo levado para a prisão depois de 40 anos como fugitivo, de acordo com a imprensa do país. O periódico La Repubblica reproduziu as primeiras palavras de Battisti em solo italiano: "Agora sei que vou para a prisão". Ele foi preso no sábado na Bolívia e desembarcou em Roma ontem.

De acordo com o jornal italiano, Battisti também aparentou serenidade durante o voo, "sem sinais de desespero apesar de esperar pela prisão perpétua". Falou sobre a vida e também sobre a fuga do Brasil para a Bolívia depois que o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a liminar que impedia a prisão de Battisti no País. Battisti dormiu durante boa parte do voo até a Itália.

Vestindo calça jeans e uma jaqueta marrom, ele desceu do avião sem algemas e foi recebido por agentes do grupo operacional móvel da polícia penitenciária.

O governo da Itália informou no início da tarde que Cesare Battisti será enviado para o Cárcere de Oristano, na ilha da Sardenha, para cumprir a pena de prisão perpétua. Anteriormente, havia sido divulgado que ele iria para a prisão de Rebibbia, em Roma.

O italiano foi capturado no último sábado, 12, nas ruas de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, por agentes bolivianos em parceria com italianos. No  momento da prisão, ele usava barba, óculos de sol, jeans e camiseta azul. Não mostrou resistência, não apresentou documentos e respondeu a algumas perguntas em português.

Após a prisão, o governo brasileiro deslocou um avião da Polícia Federal à Bolívia para trazer Battisti ao Brasil e, em seguida, extraditá-lo para a Itália, conforme promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O governo italiano, no entanto, já havia decidido levar Battisti diretamente ao país. Em uma nota conjunta divulgada no início da noite de ontem, os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça brasileiros afirmaram que o importante era que o italiano respondesse por seus crimes.

Battisti deixou a Itália depois de ser condenado por quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979. Na Itália, foi primeiramente condenado por participação em bando armado e ocultação de armas a 12 anos e dez meses de prisão em 1981. Mais de uma década depois, em 1993, teve a prisão perpétua decretada pela Justiça de Milão, em razão de quatro homicídios hediondos contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro.

Após idas e vindas por França e México entre 1981 e 2004, chegou ao Brasil e foi preso em 2007. No último dia de seu segundo mandato, no entanto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu asilo político para o italiano e impediu sua extradição.

Em setembro de 2017, o governo italiano pediu ao ex-presidente Michel Temer (MDB) a revisão da decisão sobre Battisti. No dia 13 de dezembro do ano passado, o ministro Luiz Fux determinou a prisão do ex-ativista. No dia seguinte, a extradição foi autorizada por Temer. Desde então, Battisti estava foragido. 

(Com agências)

CRIMES

Cesare Battisti, que era ligado ao grupo Proletário Armados pelo Comunismo, deixou seu país depois de ser condenado por quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Deputada que sofreu ataque a tiros diz que recebia ameaças

Martha Rocha (PDT) fala com policiais após ter veículo atingido por tiros no Rio Agência Estado
Martha Rocha (PDT) fala com policiais após ter veículo atingido por tiros no Rio Agência Estado
A deputada estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha (PDT), que teve o carro atingido por tiros na manhã deste domingo, 13, relatou que recebeu uma ameaça vinda de um grupo da milícia, no início de novembro do ano passado. Segundo Martha, que comunicou o fato às autoridades do Rio na época, a ameaça chegou três vezes pelo disque denúncia. O governador Wilson Vitzel (PSC) disse que a linha inicial de investigação aponta para um caso de latrocínio (rpubo seguido de morte ou graves lesões corporais), mas adiantou que a hipótese de atentado não está descartada.

A mensagem de ameaça, conforme Martha Rocha, dizia que o grupo pretendia atingir algumas autoridades e que seu nome vinha especificado entre os alvos "com letras garrafais". "Falei pessoalmente na ocasião com o Rivaldo Barbosa (então chefe da Polícia Civil) e Gilberto Ribeiro (subchefe operacional) e pedi uma análise de risco para ver se aquele disque denúncia tinha fundamento ou não", disse. Segundo a delegada, depois desta reunião, Ribeiro lhe telefonou para oferecer escolta policial por um mês, mas ela recusou e afirmou que queria apenas a apuração da denúncia.

A deputada ainda declarou que, quando era delegada titular, atuou na área de Campinho, que é dominada pela milícia, e que trabalhou na investigação destas organizações criminosas."Quem olhar a minha trajetória na Polícia Civil vai verificar que a questão da milícia não foi desconhecida da nossa administração, ou seja, nós sempre tivemos um radar para a apuração dos casos de milícia. Eu quero dizer que a Polícia Civil inteira sabe que, na minha atuação como delegada, fui uma pessoa que enfrentou milícia e que eu, como chefe da Polícia Civil, não fechei os olhos para a atuação da milícia", declarou.

Depois da ameaça, transmitida no dia 5 de novembro, a parlamentar comprou um carro particular blindado, já que o fornecido pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) não tinha esse equipamento. A blindagem não foi suficiente para lhe garantir segurança, já que estilhaços atingiram o seu motorista, um policial militar que lhe prestava serviços, no tornozelo.Martha afirmou também que não reagiu durante toda a ação e que apenas tomou a medida de manter a sua mãe, de 88 anos, que também estava no carro, abaixada.

O governador Wilson Witzel, disse que a hipótese de atentado contra a deputada não foi descartada. Ele informou que também pediu uma escolta policial imediata para a delegada e que não tinha conhecimento da denúncia que a parlamentar relatou ter recebido, em novembro do ano passado, de uma ameaça vinda da milícia.

"Não queremos leniência na investigação contra quem quer que seja no crime organizado. Quando eu digo crime organizado é dizer os participantes do narcoterrorismo e também os milicianos, que não deixam de ser outros também pertencentes a esse tipo de organização terrorista que vem atingindo nosso Estado do Rio de Janeiro", afirmou.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) divulgou nota na tarde de ontem sobre o ataque sofrido pela deputada estadual Martha Rocha (PDT) na manhã deste domingo. "O atentado configura-se num ato de extrema gravidade sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito."

Psol

Pelas redes sociais, o deputado Marcelo Fleixo, do Psol, manifestou solidariedade à colega Martha Rocha e ao motorista dela, Geonísio Medeiros.  

Aproveitou para cobrar elucidação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, assassinados há 10 meses.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Justiça isola mais 15 presos na segurança máxima

Mais 15 líderes de facção foram transferidos do Ceará para um presídio federal. Desta vez, criminosos da Guardiões do Estado (GDE) foram isolados na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Na última terça-feira, 21 integrantes do Comando Vermelho (CV) já haviam seguido para a unidade de segurança máxima no estado potiguar.

Inicialmente, os detentos do sistema carcerário do Ceará ficarão 20 dias na cadeia de Mossoró. Depois, provavelmente, seguirão para a Penitenciária Federal de Catanduvas (Paraná) ou outro presídio com regras mais rígidas.

A medida, solicitada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público Estadual, é uma das estratégias para sufocar os ataques das facções criminosos registrados no Ceará e que já duram dez dias.

Ontem, o governador Camilo Santana (PDT) havia anunciado a transferência de 20 presos. Porém, a Justiça cearense só autorizou a remoção de 18, enquanto a Justiça do Rio Grande do Norte só aceitou receber 15 (veja lista).

Entre os transferidos está Zaqueu Oliveira da Silva. Ele, que controlaria o tráfico de drogas nos o bairros Itaperi e Passaré, em Fortaleza, foi denunciado pelo MP como um dos mentores da Chacina no Forró do Gago. Massacre que terminou com 14 pessoas mortas e 18 feridas, em 27/1/2018. Uma das funções dele, naquele dia, foi arregimentar "soldados" para a carnificina na comunidade do Barreirão, no bairro Cajazeiras.

Zaqueu ou H20, ao lado dos criminosos Deijair de Sousa Silva, Auricélio Sousa Freitas (o Celim) e os irmãos Misael de Paula Moreira (o Afeganistão) e Noé de Paula Moreira (o Gripe Suína), formariam o Conselho da GDE que planejou a chacina.

O grau de periculosidade dos criminosos foi um dos argumentos que convenceu os juízes a decidir pelo isolamento. Mesmo dentro do sistema penitenciário, eles comandavam o tráfico de drogas e acertavam o assassinato de inimigos ou devedores.

Outro considerado perigoso é Vinícius da Silva Oliveira, o Mortadela. Ele liderava a facção em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. O traficante comandou o ataque ao Fórum da cidade, em janeiro de 2018, quando bandidos invadiram o prédio e roubaram armas de fogo. O grupo de Vinícius também destruiu processos criminais e pichou as paredes do Fórum com a sigla GDE. O detento seria responsável ainda por uma série de assassinatos.

Os pedidos de transferências de Marigebio Ferreira de Freitas, Francisco Roberio, Ferreira Martins, Douglas Feitosa e mais dois presos dependem de informações burocráticas.

De acordo com a decisão judicial, o presídio de Mossoró não é um local indicado para a transferência de presos oriundos do Nordeste. Especialmente do Ceará, por causa da proximidade geográfica. No entanto, "diante da situação de emergência" concedeu-se a remoção. Depois de 20 dias, nova mudança para outra região do País.

URGÊNCIA

A transferência dos 15 presos para a Penitenciária Federal de Mossoró aconteceu em caráter de "urgência, excepcionalidade e extrema necessidade". Desde o último dia 2, facções incendeiam ônibus, prédios e equipamento públicos e privados.

NOVOS TRANSFERIDOS (GDE)

1. Zaqueu Oliveira da Silva -
Tem 37 anos. Foi autorizado para ser incluso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), de isolamento total dentro da penitenciária. Traficante com atuação no bairro Passaré, autor de diversos homicídios. É citado como envolvido na Chacina das Cajazeiras, em janeiro do ano passado, quando 14 pessoas foram executadas dentro do Forró do Gago.

2. Marcos da Silva Pereira - "Marquinhos Chinês", 39 anos. É apontado como um dos fundadores da facção GDE e um dos principais traficantes de drogas no Ceará.

3. Yago Steferson Alves dos Santos - "Yago Gordão", 26 anos. Foi capturado em 21/12/2018. Estava foragido até então. Atua diretamente no tráfico de drogas. É um dos líderes da facção.

4. Vinícius da Silva Oliveira - "Mortadela", 25 anos. Líder da facção em Maranguape. Envolvido no ataque ao Fórum da cidade, em janeiro de 2018, quando criminosos invadiram o prédio para roubar armas de fogo e destruíram vários processos criminais e picharam as paredes do local com a sigla GDE. Teria envolvimento com tráfico de drogas, associação criminosa e homicídios dolosos.

5. Romário Cosmo Dantas do Nascimento - "Boby", 24 anos. Considerado perigoso traficante, atua na região do Sertão Central. Também envolvido com roubos.

6. Paulo Victor Lopes Monteiro - "PV Galego", 31 anos. Sequestrador, com atuação em outros estados, também participação em assaltos a bancos e estabelecimentos comerciais.

7. Jonnatas Ribeiro - "Urso da Pajuçara", 43 anos. Antecedentes de tráfico de drogas e porte ilegal de armas de fogo, homicídio e receptação. Também apontado em assaltos a bancos.

8. Francisco Robson de Souza Gomes - "Mitol", 27 anos. Longa ficha criminal por roubos, homicídio doloso, tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma de fogo. Tem papel de destaque dentro da facção.

9. Francisco Lucas da Silva Pereira - "Chico da Barra" ou "Luquinhas", 37 anos. Extensa ficha criminal por porte ilegal de armas, homicídios, roubo e sequestro relâmpago. Tem papel de destaque na GDE.

10. Francisco Fábio Madeiro Lopes - "Fábio Pague Menos", 35 anos. Especialista em roubo a estabelecimentos comerciais, também com papel de destaque na facção.

11. Francisco Anderson Silva de Sousa - "Bobo", 26 anos. Envolvido em roubo e uso de drogas. Estava foragido desde julho de 2017, quando escapou da CPPL 2.

12. Francinelio Oliveira e Silva - "Urso da Pajuçara", 43 anos. Antecedentes ligados a tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, homicídio e receptação. Também envolvido com roubo a bancos.

13. Fabiano Cavalcante da Silva - "Jhow", 31 anos. Considerado um dos líderes da GDE, com papel relevante na articulação da organização criminosa com outros grupos de vários bairros da Capital. Acusado de envolvimento na morte de 3 PMs na Vila Manoel Sátiro.

14. Dedigal Rafael Alves Martins - "Goga", 30 anos. Envolvido com tráfico de drogas, porte ilegal de armas e homicídios. Atua na cidade de Paracuru.

15. Bruno Cavalcante Costa - "Bradesco", 30 anos. Teria função de liderança dentro da CPPL 2, onde estava recolhido. Ficha criminal inclui porte ilegal de arma de fogo, furtos qualificados e roubos.

Números

36 presos foram removidos para a penitenciária Federal em Mossoró: 21 do Comando Vermelho e 15 da GDE

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Justiça transfere 21 líderes de facção do Ceará

Vinte e um líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) foram transferidos na madrugada de hoje do sistema penitenciário do Ceará para um presídio federal. Mesmo presos, eles são acusados de comandar de dentro das cadeias a onda de ataques e atentados que toma conta das ruas de Fortaleza, Região Metropolitana e cidades do Interior cearense, há oito dias.

Três ordens judiciais, atendendo a um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público Estadual, foram concedidas em caráter de "urgência, excepcionalidade e extrema necessidade". Além dos 21 integrantes do CV, mais 40 presos das facções Guardiões do Estado (GDE) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) serão retirados do Ceará para outras penitenciárias federais.

De início, segundo as três decisões da Justiça cearense, os 21 transferidos ficarão 20 dias no primeiro presídio federal. Depois da avaliação das Corregedorias indicadas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), poderão permanecer em caráter definitivo.

Na lista dos presos relacionados pelo Governo do Ceará e pelo Gaeco estão nomes como o de Robério Cezar Alves Aguiar. Conhecido no mundo do crime por "Fuzil", "Negão" ou "Tonho da Canoa", ele é paulista, seria assaltante de bancos e teria atuado nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O traficante internacional de drogas Euder de Sousa Bonethe, vulgo "Primo", é outro que deixou o Ceará. Preso na Operação Semilla, da Polícia Federal, ele foi denunciado pelo Ministério Público por fazer negócios com criminosos da África e da Europa.

Entre os que atuavam mais diretamente no território cearense está Maycon da Silva Nascimento. Um homicida, chamado de "pistoleiro do tráfico". Quando foi preso em 2015 pela Polícia Civil, era considerado o segundo criminoso mais perigoso do Estado.

Márcio Gledson Dias da Silva, o "Márcio do Gueto", personagem que dominava parte do tráfico de drogas na Barra do Ceará, bairro da periferia de Fortaleza, também foi transferido.

Outro traficante que controla a venda de entorpecentes em bairros de Fortaleza e que deixou o complexo de presídios em Itaitinga, na Região Metropolitana, é Rogério de Oliveira Cury. Rogério "Bocão" também mandava expulsar e matar moradores ou desafetos da favela Cidade de Deus, no São João do Tauape.

Para conceder a remoção dos líderes da facção criminosa, um dos juízes aceitou o argumento do Ministério Público que Fortaleza, a Região Metropolitana e vários municípios vivem uma "situação de risco".

Segundo o Gaeco, o isolamento dos 21 detentos em um presídio de segurança máxima fora do Ceará se justifica porque existem "fortes indícios da alta periculosidade dos presos, derivada do comprometimento com associação criminosa e do destacado papel de lideranças em facção".

Eles, de acordo com argumentação do Ministério Público, seriam responsáveis pelos "recentes ataques a ônibus, bens públicos e até um viaduto. Numa demonstração de violência e desrespeito ao Estado e à população que está amedrontada".

Por questão de segurança, O POVO não divulgará a unidade para onde os detentos irão nem o nome dos juízes que autorizaram as remoções.

Risco 

São três decisões judiciais ordenando a transferência de presos do Ceará para presídio federal. Uma delas autorizou a remoção de 19 homens. E outras duas a de Francisco Jales Fernandes Fonseca, o Zag, e de Antônio Edinaldo Cardoso de Sousa, o Naldinho. 

Relação dos presos transferidos 


1- Francisco Jonas Andrade Albuquerque, "Jonas Boyzinho", assaltante de bancos  e traficante

2- David de Oliveira Gonçalves, "DVD"

3- Márcio Gledson Dias da Silva, "Márcio do Gueto", traficante

4- Airton de Mesquita, "Airton da Conquista", homicida e traficante

5- Mardônio Serafim da Silva, assaltante de bancos e clínicas médicas

6- Reginaldo Abreu Henrique, "Régis Pitbull", traficante e homicida

7- Francisco Jorge Ciríaco da Costa, assaltante de bancos

8- Francisco Patrick Alencar Amaral, "Patrick Dantas", homicida, traficante e ladrão

9- Euder de Sousa Bonethe, "Primo", traficante internacional de drogas, envolvido na operação Semilla, da PF, que remetia drogas para África e Europa

10- Daniel Belmiro José Rodrigues, traficante, assaltante, veio do Rio de Janeiro

11- Robério Cezar Alves Aguiar, "Fuzil", "Negão" ou "Tonho da Canoa. Paulista, assaltante de bancos, teria atuado nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)

12- Maycon da Silva Nascimento, homicida, chamado de "pistoleiro do tráfico". Era tido como o segundo mais perigoso do Estado quando foi preso, em 2015

13- Francisco Rafael Alves da Silva, "Rafael Xilito". Roubo e clonagem de veículos, enviava carros para o Paraguai

14- Fabiano Silva Lima

15- Renan Pereira da Silva

16- Gutielio Madeira da Silva, assaltante

17- Antônio Márcio da Silva

18- Rogério de Oliveira Cury, "Rogério Bocão", traficante que dominava a Cidade de Deus e Piedade

19- Antônio Wallyson Felipe dos Santos, o Bocalsson, Boca ou Bocão. Responde por homicídio, roubo, furto, tráfico de drogas. Atua na área da Sapiranga

20- Francisco Jales Fernandes Fonseca, ou "Zag". Chefiava o tráfico em Pindoretama, Cascavel e Beberibe. Foi preso na Operação Piranji.

21. Antônio Edinaldo Cardoso de Sousa, o "Naldinho"

* A primeira leva de transferidos é do Comando Vermelho 

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Comércio fecha mais cedo em alguns bairros no 6º dia de ataques

No 6º dia de ataques no Ceará, em meio a suposta ordem de facções, estabelecimentos comerciais em alguns bairros da Capital, como Sapiranga, baixaram as portas mais cedo. Foram registrados pelo menos sete atentados em Fortaleza e Região Metropolitana até o fechamento desta página.
No Jabuti, localidade de Eusébio (Região Metropolitana), um menino de 5 anos morreu após ser baleado no rosto na noite de ontem. Não há confirmação de relação da ocorrência com a série de ataques no Estado.

Um adolescente de 15 anos também foi atingido por, pelo menos, três disparos e foi internado no Instituto Doutor José Frota (IJF). O POVO apurou que a família estava na calçada de casa, por volta das 20h30min, quando um carro passou atirando. A criança chegou a ser encaminhada ao IJF, mas não resistiu aos ferimentos.

Durante a tarde de ontem, comércios situados em bairros como Edson Queiroz, Lagoa Redonda e Sapiranga tiveram pouca movimentação.

Na Sapiranga, no meio da tarde, o comércio já estava fechado. "Soubemos que poderia ter um ataque pelas redondezas, então mandamos os funcionários mais cedo para casa", afirma o dono de uma oficina na região, que não quis se identificar. Também no bairro, estabelecimentos como a Farmácia Pague Menos e Mercadinho da Rede Uniforça já estavam fechados naquele horário.

Na avenida Washington Soares, em algumas concessionárias de veículos a exibição de veículos na vitrine foi reduzida. Os carros foram recolhidos.

Na Avenida Edilson Brasil Soares, localizada entre os bairros Edson Queiroz e Lagoa Redonda, alguns pontos comerciais, como o Shopping Mall, estavam fechados. Farmácias das redes Pague Menos e Drogasil funcionavam. No Mercadinho São Luiz havia uma viatura da Cavalaria fazendo ronda.

No Centro de Fortaleza, o período foi de pouca movimentação. A Catedral Metropolitana estava fechada para visitação. Na Senador Pompeu com Doutor João Moreira, próximo ao Centro de Turismo do Ceará (Emcetur), o comércio fechou mais cedo, além das clínicas de saúde. Em horário normal, os locais encerram expediente entre 16 e 17 horas. Na Praça do Ferreira havia presença da Polícia fortemente armada.

O que se sabe sobre supostas ameaças

TOQUE de recolher foi determinado pelo governo?

- Não há qualquer determinação oficial para que as pessoas deixem de sair de casa ou estabelecimentos deixem de funcionar. Há policiamento nas ruas para tentar garantir a normalidade.

TOQUE de recolher foi determinado por criminosos?

- Não existe comprovação de autoria do comunicado. Se foi ameaça realmente feita por grupos criminosos ou apenas trote. Mesmo na dúvida, houve comerciante que disse ao O POVO que obedeceu à ordem "em abstrato".

O QUE diz a SSPDS sobre as supostas ameaças?

- Em nota, a SSPDS ressalta que a disseminação de boatos e ameaças ao comércio da Capital e RMF é considerada uma prática criminosa.

COMO é possível denunciar?

- As denúncias podem ser repassadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria, assim como o Whatsapp da Polícia Civil pelo (85) 9 8969 0182. O sigilo é garantido. Já ocorrências em andamento devem ser encaminhadas ao 190.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Ceará registrou 211 ataques em 15 ciclos de atentados

Retaliação às mortes por intervenção policial, reação à transferência de presos, desaprovação de medidas adotadas na gestão do sistema prisional e demonstração de força. Essas foram as principais motivações apontadas para os 211 ataques registrados no Ceará, desde 2014 até ontem. Foram 15 ciclos de atentados neste período. 

O levantamento realizado pelo O POVO, com base nos dados divulgados pelas autoridades e notícias veiculadas pelo jornal, revela o tamanho do desafio posto para a nova gestão de Camilo Santana (PT), que solicitou, na tarde de ontem, apoio do Governo Federal, com o envio de homens da Força Nacional de Segurança, do Exército e da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP). 

Como evitar o desencadeamento de ações criminosas, sejam elas ordenadas de dentro ou fora das penitenciárias, a cada ação adotada pelo governo? Até agora, os "salves", método utilizado por criminosos para ordenar ataques, tornam o Estado refém de suas próprias ações. 

Na madrugada de quinta-feira, na ação considerada a mais audaciosa até então, houve a tentativa de implodir o viaduto na BR-020, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Pelo menos 30 atentados foram registrados até o fechamento desta matéria. 

As ações seriam uma retaliação às intervenções realizadas nos presídios cearenses, como o isolamento de lideranças criminosas, bem como reação à fala do secretário de Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, que não assegurou a permanência da divisão de facções por presídios no Ceará. 

Nos últimos cinco anos, ataques semelhantes deixaram um cobrador de ônibus morto e nove pessoas feridas, sendo dois policiais militares e dois motoristas. 

Foram incendiados 111 ônibus e 249 veículos, entre viaturas e outros carros de propriedade estatal, particular ou de empresas privadas. Houve 70 ataques a delegacias, agências bancárias, sede de secretarias municipais, secretarias de Estado, empresas e equipamentos públicos ou privados. 

Para fins de comparação, O POVO considerou como ciclo somente os eventos nos quais houve três ou mais ações, que guardavam alguma relação entre si, independentemente do período. A reportagem solicitou um balanço oficial à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Porém, a pasta informou que não dispunha de um acompanhamento centralizado para esse tipo de ocorrência.

Somente em 2018, três ondas de atentados foram registradas, somando 64 ações. A soma é superior à contabilizada nos anos anteriores. Destes, 34 se deram em julho, após a morte de três suspeitos, na cidade de Amontada, durante intervenção policial. Foram atacados 14 prédios públicos, dois bancos, uma viatura e 17 coletivos. As ações teriam sido ordenadas pela facção 
Comando Vermelho (CV), da qual os suspeitos mortos fariam parte. 

Intervenção policial também seria o motivo do primeiro ciclo de 2018, ocorrido em março, quando houve 21 ataques. As ações foram desencadeadas durante tentativa de incêndio ao prédio dos Correios, no Antônio Bezerra, quando bilhete anônimo com ameaças foi deixado. No seguinte, o prédio da extinta Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) foi atacado. Policiais de campana reagiram e mataram três suspeitos. Uma granada e armas foram apreendidas. Eles também seriam membros do CV. 

Mais tarde, outros seis prédios, públicos e privados, dez ônibus e um veículo, que estava estacionado no 20º DP, foram incendiados. Houve ainda uma tentativa de incêndio a caminhão, na Barra do Ceará, e a queima de 60 veículos, de uma só vez, em uma garagem, na cidade de Cascavel. 

Já o terceiro ciclo de atentados do ano se deu em maio, com quatro ataques, nas cidades de Juazeiro do Norte e Limoeiro do Norte. As ações teriam sido ordenadas por detentos da cadeia pública de Tourão, em Juazeiro, que protestavam contra a proibição do pernoite no Dia das Mães. Ônibus, viatura, caminhão e um teatro foram atacados.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Edição do Dia

Boleto para pagamento do IPVA 2019 já está disponível

Está disponível, desde ontem, o boleto para pagamento do Imposto sobre a Circulação de Veículos Automotores (IPVA) 2019. A Secretaria da Fazenda (Sefaz) não fará envio de boletos pelos Correios.

Proprietários de veículos podem ter o documento de arrecadação estadual (DAE) emitido no site da Sefaz. Para fazer o download do boleto, o contribuinte precisa acessar "Serviços", "IPVA" e, por último, "DAE para pagamentos".

O boleto é recebido em casas lotéricas e agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco do Nordeste e Bradesco, além das farmácias Pague Menos. Mas o pagamento também pode ser realizado via aplicativo dos bancos no celular. 

A parcela única, com desconto de 5%, pode ser paga até o próximo dia 31, enquanto o parcelamento vai de fevereiro a junho deste ano.

Quem decidir pelo parcelamento, deverá pagar as nos dias 8 de fevereiro, 8 de março, 8 de abril, 8 de maio e 10 de junho de 2019. A Sefaz orienta que o contribuinte guarde o comprovante de pagamento do IPVA por cinco anos.

Estão isentos do pagamento pessoas com deficiência, proprietários de táxi, ônibus urbano e metropolitano e veículos com mais de 15 anos. Veículos da União, Estado, municípios, autarquias, fundações, sindicatos e templos religiosos também.

Neste ano, os proprietários de veículos no Ceará pagarão menos pelo IPVA em relação a 2018. A redução média será de 3,79%. Em 2019, 2,27 milhões de veículos são tributados. A previsão de arrecadação é de R$ 1 bilhão, sendo que 50% desse valor pertence ao Tesouro Estadual e os outros 50% são destinados aos municípios cearenses.

A queda da alíquota aplicada no Estado foi superior a de outras regiões. Em São Paulo, a redução média foi de 3,34%, enquanto em Minas Gerais a diminuição foi de 3%.

Para chegar aos valores constantes para o IPVA, a Sefaz considerou a tabela divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que expressa os preços médios de mercado dos veículos, efetivamente praticados, por estado, e consulta ao Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Ceará (Sindivel).

Datas de pagamento
Parcela única: até 31 de janeiro (5% de desconto).
Parcelas: Dia 8 dos meses de fevereiro, março, abril, maio e 10 de junho.

Serviço

EMISSÃO DO IPVA
Informações: (85) 3209 2200

MULTIMÍDIA

EMISSÃO DO BOLETO
https://bit.ly/2VnECqh

CONFIRA A TABELA DE VALORES DO IPVA
https://bit.ly/2GSPUj5