quinta-feira, 2 de março de 2017

FUNCEME Chuva atinge mais de 120 municípios cearenses nesta madrugada

Choveu em 124* municípios cearenses entre as 7 horas dessa quarta-feira, 1º, e as 7 horas desta quinta-feira, 2, de acordo com dados da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). A maior precipitação foi anotada em Itaiçaba, com 121.4 mm, seguida do registro de Iracema, com 70 mm, e Quixeramobim, com 60 mm.
Em Fortaleza, choveu 42.4 mm nesta madrugada, no posto da Água Fria. Outras cidades com volumes significativos foram: Madalena (58 mm), Cruz (58 mm), Bela Cruz (55 mm), Alto Santo (54 mm) e Beberibe (53 mm).
As chuvas no último mês de fevereiro superaram a média histórica em 33.3%, conforme atualização da Funceme nesta quinta-feira. O Ceará teve 158.1 mm de chuva, enquanto no mesmo período do ano passado foi anotado apenas 53.2 mm. Com isso, aumentam as chances para o fim da seca no Ceará, embora a possibilidade de escassez de chuvas nas regiões dos açudes estratégicos ainda preocupe.
Agora, a expectativa é que as chuvas de março melhorem a recarga dos açudes. Nos dois primeiros meses deste ano, os reservatórios tiveram recarga de 142,2 milhões de metros cúbicos (m³). Por enquanto, apenas um açude possui volume acima de 90%: Caldeirões (Saboeiro).
Outros 51 açudes estão com volume morto, quando o nível fica abaixo da tubulação feita para liberar a água acumulada. Além disso, 32 reservatórios estão com volume seco, o que significa que a água está em quantidade mínima e não tem possibilidade de uso.
A imagem do satélite GOES-13, utilizado pela Funceme, aponta nuvens mais significativas sobre o noroeste do Ceará devido à presença de um Cavado de Altos Níveis (CAN).Já a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema meteorológico vinculado à quadra chuvosa no Estado, está afastada do setor norte do Nordeste brasileiro.
A previsão para esta quinta-feira, 2, é de nebulosidade variável com chuvas em todas as regiões. Essa também é a previsão para esta sexta-feira, 3. No sábado, 4, há possibilidade de chuvas isoladas em todas as regiões.
* Dados da Funceme às 9 horas - as informações são atualizadas ao longo do dia
AMANDA ARAÚJO

IRPF Saiba o que muda nas regras para a declaração do Imposto de Renda em 2017

Nesta quinta-feira, 2, a Receita Federal começou a receber as declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativas ao ano-calendário de 2016. As regras tiveram poucas mudanças em relação ao ano passado. Valores relativos à dedução de gastos, prazos para restituição e alguns pontos na tabela do IR continuaram iguais a 2016. Veja o que mudou:
1) Tabela do Imposto de Renda
Em relação ao ano passado, a tabela do Imposto de Renda foi reajustada com porcentagem menor do que a inflação. Em 2016, eram obrigadas a declarar todas as pessoas com rendimentos tributáveis acima de R$ 28.123,91. Em 2017, o valor passou para R$ 28.559,70 (reajuste de 1,54%).
A tabela do imposto para quem realiza atividades rurais também teve reajuste de 1,54%. Em 2016, todos que ganharam mais do que R$ 140.619,55/ano eram obrigados a declarar. Em 2017, o valor passou para R$ 142.798,50/ano.
Para rendimentos não tributáveis ou tributados na fonte, a tabela continua igual à do ano passado: deve declarar imposto quem recebeu mais de R$ 40 mil provindos dessa natureza. O valor para propriedade de bens também continua igual ao de 2016: R$ 300 mil.
2) Redução da idade mínima para apresentação de CPF para dependentes
Até 2016, todos os dependentes com mais de 14 anos precisavam ter o número do CPF informado na declaração. Neste ano, a obrigatoriedade passou para 12 anos completos até 31/12/2016. "Caso não tenha, o dependente precisa tirar o CPF antes de ser feita a declaração", disse o supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, durante apresentação das regras para declaração do IRPF 2017.
3) Atualização automática do Programa do Imposto de Renda
A partir de 2017, o programa gerador do Imposto de Renda vai ser atualizado automaticamente. Em 2018, não será preciso baixar o programa. Importante: a versão 2016 não será atualizada automaticamente para a deste ano. "Essa é uma mudança futura. É preciso baixar o IRPF 2017 no site da Receita Federal", diz Adir.
4) Incorporação do programa de transmissão no programa de geração
Neste ano, também não será preciso baixar o Receitanet, o programa de transmissão da declaração. Agora, ele está incorporado ao programa gerador do Imposto de Renda.
5) Mudanças no layout do programa
Há pequenas mudanças no programa. De acordo com a Receita Federal, a ficha de rendimentos isentos e não tributáveis ganharam uma aba a mais. Também há um campo para preenchimento (não obrigatório) de e-mail e telefone celular do contribuinte. "São informações apenas para ampliar o cadastro de pessoa física. Não será utilizado para comunicação", diz a supervisora da Receita Federal, Andréa Legal.
6) Expectativa de recebimento de declarações
Para este ano, a Receita Federal estima que serão recebidas 28,3 milhões de declarações. No ano passado, o número foi 27.960.663 declarações. O número de declarações não necessariamente é o número de contribuintes já que há pessoas que fazem declarações retificadoras.

quarta-feira, 1 de março de 2017

EX-PRESIDENTE Pré-candidato, Lula terá plano para a economia

Alvo da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma plataforma econômica para apoiar sua pré-candidatura ao Planalto. Mesmo correndo o risco de ficar inelegível se for condenado em segunda instância, pois é réu em cinco ações, Lula avalia que o PT precisa se contrapor com mais vigor ao governo Michel Temer, lançando uma espécie de "programa nacional de emergência" para o País sair da crise.
O termo foi usado pelo próprio PT em fevereiro do ano passado, quando o partido apresentou à então presidente Dilma Rousseff uma lista com 22 sugestões de mudanças na economia.
Com um discurso em defesa de novas eleições diretas e disposto a antecipar o lançamento de seu nome ao Planalto, Lula tem aparecido em vídeos dizendo que Temer "só sabe cortar". O foco de sua plataforma para 2018 vai na linha de que o País não conseguirá reduzir o número de 12,9 milhões de desempregados se não ampliar o crédito para a produção e o consumo.
Entre as propostas que Lula e a cúpula do PT defendem para enfrentar a crise estão a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego, reajuste de 20% nos valores do Bolsa Família e aumento real do salário mínimo, além da correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual.
Há um ano, o PT pressionou Dilma para que usasse parte das reservas internacionais na formação do Fundo de Desenvolvimento. Ela não concordou.
Foi no governo Dilma que a economia do País teve o seu pior desempenho. O ex-presidente sempre quis, sem sucesso, que ela nomeasse o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que comandou o Banco Central nos dois mandatos de Lula, de 2003 a 2010.
Na lista dos economistas com quem Lula sempre conversa constam Luiz Gonzaga Belluzzo e Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento na gestão Dilma. O petista também ouvia Antonio Palocci, titular da Fazenda de 2003 a 2006 e chefe da Casa Civil em 2011. Palocci está preso desde setembro, acusado de receber propina para favorecer a Odebrecht.
Em consonância com Lula, a bancada do PT no Senado também apresentará até abril um programa emergencial para a economia. "Estamos à beira de uma convulsão social", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

NESTA QUARTA Papa exalta 'beleza' do Brasil, mas cobra proteção ambiental

O papa Francisco enviou nesta quarta-feira1º, uma mensagem para a campanha de Quaresma promovida pela Igreja Católica no Brasil, que em 2017 tem como lema "Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida".
Em seu texto, o Pontífice afirma que o "Criador" foi "pródigo" com o Brasil, concedendo ao país uma diversidade de ecossistemas de "extraordinária beleza", mas destaca que existem sinais de "agressões à criação e de degradação da natureza".
"Não podemos não considerar os efeitos da degradação ambiental, do atual modelo de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas. Essa campanha nos convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade da natureza que se manifesta nos vários ecossistemas do Brasil - um verdadeiro presente de deus", escreveu o Papa.
Segundo Francisco, esse é um dos "maiores desafios em todas as partes da Terra", já que a degradação ambiental é frequentemente acompanhada pela "injustiça social". Na mensagem, Francisco ainda cita os povos indígenas, que são "um claro exemplo" de como a convivência com a natureza pode ser "respeitosa, fértil e misericordiosa".
"É necessário conhecer e aprender com esses povos o seu modo de se relacionar com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo sustentável que possa ser uma alternativa válida ao desejo desenfreado por lucro que esgota os recursos naturais e agride a dignidade dos povos", concluiu o líder da Igreja Católica.

(Ansa)

ÁGUA Açudes no Ceará ganham recarga de 135,8 milhões de m³ em 2017

Nos dois primeiros meses de 2017, 39 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) tiveram aumento de volume. O aporte de 135,8 milhões de metros cúbicos (m³) já é maior do que a recarga registrada no mesmo período dos últimos cinco anos, de acordo com dados do último boletim da companhia, em 28 de fevereiro.
As recargas nos açudes cearenses, nos dois primeiros meses dos últimos anos, foram: 0,77 bilhões de m³, em 2016; 0,75 bilhões de m, em 2015; 1,16 bilhões de m³, em 2014; 0,95 bilhões de m³, em 2013; e 0,92 bilhões de m³, em 2012.
Os principais açudes que receberam recargas foram Acarape do Meio, Angicos, Aracoiaba, Araras, Banabuiú, Castanhão, Edson Queiroz e Pedras Brancas. A Cogerh aponta que o aporte permitiu ao Santo Antônio de Aracatiaçu sair da situação de volume morto. Outros reservatórios deixaram de estar seco: Barra Velha, Santa Maria de Aracatiaçu, São José I, Sousa e Tijuquinha.
Apesar do aporte significativo, 134 reservatórios ainda estão com volume abaixo de 30%, e apenas um açude, o Caldeirões (Saboeiro), está com volume acima de 90%.
A Cogerh monitora 153 açudes em 12 bacias hidrográficas, com capacidade total de 18,64 bilhões de m³. Atualmente, esses reservatórios estão com volume de 1,21 bilhão de m³, ou seja, 6,51% da capacidade total.
O Castanhão, que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza, está com apenas 5,16% da capacidade total de armazenamento, segundo os dados do Portal Hidrológico, nesta quarta-feira, 1º.
Último prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontou 43% de chances para o volume de chuvas no Ceará ficar dentro da normalidade. A preocupação é com a escassez de chuvas nas regiões dos açudes estratégicos para o abastecimento do Estado.
Durante a divulgação do prognóstico da Funceme, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio Farias, informou que o Governo está em fase de estudos para a construção de 16 adutoras emergenciais em cidades a serem selecionadas de acordo com a demanda hídrica. Em paralelo, a perfuração de poços deve atender todas as regiões do Ceará.
O boletim do dia 28 de fevereiro da Cogerh informa que 51 açudes estão com volume morto, em que somente é possível captar o que resta da água com bombas flutuantes. O volume morto é quando o nível fica abaixo da tubulação feita para liberar a água acumulada. Outros 32 reservatórios têm volume seco, o que significa que a água está em quantidade mínima e não tem possibilidade de uso.

Açudes com volume morto:
Amanary, Barra Velha, Batente, Broco, Capitão Mor, Castro, Catucinzenta, Cipoada, Escuridão, Farias de Sousa, Figueiredo, Flor do Campo, Fogareiro, Forquilha, Frios, Gerardo Atimbone, Jaburu II, Jatobá, Jatobá II, Jenipapeiro II, João Luís, Junco, Macacos, Malcozinhado, Mons.Tabosa, Parambu, Patu, Pentecoste, Pesqueiro, Poço da Pedra, Poço do Barro, Pompeu Sobrinho, Premuoca, Quincoé, Quixabinha, Riacho da Serra, Riacho do Sangue, Rivaldo de Carvalho, Santa Maria, Santa Maria de Aracatiaçu, São Domingos II, São José I, São José II, São José III, Sitios Novos, Sousa, Sucesso, Tejuçuoca, Tigre, Várzea da Volta e Várzea do Boi.
Açudes com volume seco:Adauto Bezerra, Barragem do Batalhão, Bonito, Canafístula, Carão, Carmina, Carnaubal, Cedro, Desterro, Ema, Faé, Favelas, Forquilha II, Jenipapeiro, Jerimum, Madeiro, Monte Belo, Nova Floresta, Pau Preto, Penedo, Pirabibu, Potiretama, Quixeramobim, Salão, Santo Antônio, Santo Antônio de Russas, São Domingos, São Mateus, Serafim Dias, Trapiá II, Umari e Vieirão.
Redação O POVO Online

FERNANDO MOURA Em acareação com ex-diretor de Furnas, lobista reafirma propina a Aécio

Quase 12 anos após as primeiras denúncias de corrupção em Furnas, o ex-diretor de Engenharia da empresa Dimas Fabiano Toledo ficou frente a frente com o lobista e delator Fernando Horneaux de Moura condenado a 16 anos e dois meses de prisão na Lava Jato.
Na acareação, Fernando Moura manteve sua versão de que, em 2003, o então dirigente de Furnas teria garantido que um terço da propina arrecadada na estatal iria para o PT nacional, um terço para o PT de São Paulo e um terço para o atual presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).
A acareação foi realizada pelos investigadores da Lava Jato perante o Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura o suposto envolvimento do senador tucano em um esquema de corrupção na estatal de energia. A investigação é um dos desdobramentos da Lava Jato e foi aberta a partir da delação do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS).
Amigo do petista José Dirceu, condenado a 20 anos de prisão na Lava Jato, Fernando Moura auxiliou o então ministro da Casa Civil do governo Lula na definição de cargos do governo, inclusive nas estatais, logo após a posse, em 2003.
Em seu relato, o lobista disse que foi informado pelo próprio Dirceu que Aécio Neves havia solicitado ao presidente na época a permanência de Dimas Toledo na estatal de energia. Coube, então, a Moura, informar o dirigente sobre sua permanência no cargo mesmo com a mudança de governo.
Frente a frente com Dimas Toledo, Fernando Moura manteve a versão de que o acerto teria sido uma forma de retribuir o apoio do recém-empossado governo do PT à permanência do então diretor de Furnas, segundo ele uma indicação de Aécio na estatal.
Por sua vez, Dimas Toledo não negou o encontro com Fernando Moura após ser reconduzido ao cargo. Mas afirmou que "não teria discutido nenhum assunto acerca de redistribuição de valores de Furnas para o PT nacional, para o PT paulista e para Aécio Neves".
O ex-diretor, que deixou a estatal em 2005, reafirmou que a versão do lobista seria "mentirosa". Diante do confronto de versões, o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao ministro do Supremo Gilmar Mendes a prorrogação do inquérito por mais 60 dias.
"Na presente hipótese, os elementos informativos já reunidos nos autos apontam para a verossimilhança dos fatos trazidos pelos colaboradores e denotam a necessidade de aprofundamento das investigações, notadamente quanto o envolvimento de Dimas Fabiano Toledo no evento criminoso e a sua relação com o senador Aécio Neves", segue Janot no pedido encaminhado na sexta-feira, 24. "Conquanto o diretor tenha negado participação em qualquer esquema, as declarações de Fernando Antônio Guimarães Horneaux de Moura se coadunam com os elementos trazidos pelos colaborador", crava Janot.
Para o procurador-geral da República, o novo depoimento de Fernando Moura confirma as versões de outros delatores sobre suposto esquema de corrupção em Furnas "comandado" por Dimas Toledo.
Denúncia
Funcionário de carreira na estatal, Dimas Toledo atuou como diretor de Engenharia entre 1995 e 2005 e já chegou a ser investigado em primeira instância a partir de 2005, quando a Polícia Federal no Rio instaurou um inquérito para apurar as denúncias feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson na CPI Mista dos Correios de que haveria um esquema de caixa 2 na estatal de energia que abasteceria partidos políticos.
Ao longo da investigação, o lobista Nilton Monteiro, um dos acusados de atuar no esquema, chegou a apresentar uma lista com nome de 156 políticos que seriam beneficiários do esquema, que ficou conhecida como "lista de Furnas".
Como as perícias da Polícia Federal concluíram que não dava para saber se o documento era falso, as investigações dos nomes citados acabaram não avançando. Em 2012, contudo, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro apresentou denúncia contra 11 acusados de corrupção em dois contratos de termelétricas (em Campos dos Goytacazes e São Gonçalo, no Rio), incluindo Jefferson e Dimas Toledo.
Em março daquele ano, porém, a Justiça Federal entendeu que o caso deveria ser remetido para a Justiça Estadual do Rio. Lá, o caso voltou para a fase de inquérito e foi remetido para a Polícia Civil concluir a investigação.
Na Delegacia Fazendária da polícia, o caso ficou mais quatro anos e, somente em março de 2016, a delegada Renata Araújo concluiu a investigação indiciando Roberto Jefferson e outros seis investigados por lavagem de dinheiro. Em setembro do ano passado, acolhendo um pedido do Ministério Público do Rio, a Justiça Estadual arquivou o caso em primeira instância.
Em dezembro do ano passado, o Ministério Público do Rio encaminhou a "lista de Furnas" para Janot. O documento não é citado no pedido de prorrogação do inquérito contra Aécio, mas o procurador-geral da República pediu ao STF que sejam juntadas cópias da quebra de sigilo de Dimas Toledo, que tramitou em primeira instância na Justiça do Rio, além das investigações que foram realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União sobre Furnas na época.
Os advogados de José Dirceu e Delcídio Amaral não foram localizados na terça-feira, 27, para comentar o caso.
Segundo a assessoria de Aécio Neves, pedidos de prorrogação de prazo em procedimentos investigatórios são rotina e a oitiva do senador, como é praxe, está prevista desde o inicio do procedimento. "As diligências requeridas não guardam relação com o senador, uma vez que se referem apenas à solicitação de cópias de documentos da empresa e oitivas de membros do PT", destacou a assessoria. "O senador Aécio Neves é o maior interessado na realização das investigações porque o aprofundamento delas provará a absoluta correção de seus atos."
O advogado Rogério Marcolini, que defende o ex-diretor, divulgou nota afirmando que, "nos últimos dez anos, Dimas Toledo já foi inquirido pela Polícia Federal pelo menos meia dezena de vezes e sempre foi absolutamente coerente ao narrar os fatos como aconteceram. "O senhor Fernando Moura, nas poucas vezes em que foi ouvido, já emendou sua versão diversas vezes, o que levou o próprio Juiz Federal condutor da Lava Jato a por em dúvida a sinceridade de sua delação. A acareação realizada de surpresa foi a oportunidade para Dimas Toledo mais uma vez reiterar a veracidade do seu testemunho."
O criminalista Luis Alexandre Rassi, que defende o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, diz que ainda não conversou com seu cliente sobre o caso, mas que a defesa vê com ressalva os depoimentos de Fernando Moura, "devido a impropriedades no depoimento prestado por ele na ação penal em que Silvio responde na Lava Jato em Curitiba".

NESTA QUARTA Aeroportos da Infraero têm movimentação tranquila nesta Quarta-feira de Cinzas

Aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) têm situação tranquila nesta Quarta-feira de Cinzas (27). Entre os principais terminais frequentados por foliões em todo o país, o de Salvador é o que apresenta melhor desempenho – dos 41 voos programados, todos saíram no horário.
No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, dos 104 voos programados até as 12h de hoje, 102 saíram no horário (98%) e dois atrasados. Não houve cancelamentos no terminal.
No Recife, dos 35 voos programados para o mesmo período, 30 saíram no horário (85,7%) e três foram cancelados (8,57%), além de ocorrer dois atrasos.
No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, dos 60 voos programados até as 12h de hoje, 58 saíram no horário (96,6%) e dois foram cancelados (3,3%). Não houve atrasos no terminal.
Operação Carnaval
Desde a última quinta-feira (23), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realiza a Operação Carnaval 2017, com fiscalização reforçada nos sete aeroportos mais movimentados no período carnavalesco – Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro; Congonhas e Guarulhos, em São Paulo; Brasília, Salvador e Recife.
A previsão é de que, até 6 de março, a agência intensifique as atividades com foco na fiscalização da prestação de informações e de assistência aos passageiros pelas companhias aéreas. Os aeroportos de Brasília, Guarulhos e do Galeão terão reforço de fiscalização 24 horas. Os demais terão aumento da cobertura de inspetores nos dias e horários de maior movimento.
Direito dos passageiros
A Anac informou que, pela Resolução 141/2010, é dever da companhia aérea informar aos passageiros sobre atrasos e cancelamentos de voo e o motivo. Além disso, a empresa deve oferecer facilidade de comunicação (ligação telefônica, internet e outros) no caso de atrasos superiores a uma hora; alimentação adequada para atrasos superiores a duas horas; acomodação em local adequado, traslado e, quando necessário, serviço de hospedagem, para atrasos superiores a quatro horas.
A agência tem canais de comunicação destinados a receber manifestações pela internet (Fale com a Anac), pelo telefone 163 (que funciona 24 horas, sete dias por semana, com atendimento em português, inglês e espanhol) ou nos núcleos regionais de Aviação Civil localizados nos principais aeroportos do país.
Agência Brasil 

CNBB Cuidado com os biomas brasileiros é tema da Campanha da Fraternidade 2017

Com o tema Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu hoje (1º) a Campanha da Fraternidade 2017. Segundo a entidade, o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas. “Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”, disse o papa Francisco, em mensagem ao Brasil.
O papa destacou que o desafio global pela preservação, “pelo qual toda a humanidade passa”, exige o envolvimento de cada pessoa junto com a atuação da comunidade local. Para ele, os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa.
“É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres”, argumentou o papa.
Para o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, ninguém pode assistir passivamente à destruição de um bioma, por isso o assunto não pode ser deixado de lado pela Igreja. “Há muito a ser feito por cada um espontaneamente, como mudança no padrão de consumo, cuidados com a água e com o lixo doméstico, mas necessitamos de iniciativas comunitárias, que exigem a participação do Poder Público e ações efetivas dos governos”, disse. “Precisamos de um modelo econômico que não destrua os recursos naturais”, ressaltou.
Venda de terras a estrangeiros
O lançamento da campanha, hoje em Brasília, contou com a presença do deputado federal Alessandro Molon (REDE-RJ), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista. Ele pediu o apoio da CNBB à Frente em projetos em tramitação no Congresso Nacional, destacando, entre eles, o projeto que quer liberar a venda de terras a estrangeiros. “Essa compra não será para proteger a biodiversidade, mas para estimular a exploração predatória e a serviço do dinheiro”, disse.
Para Molon, o desmatamento já é um problema no país e, se houver a facilitação da venda de terras a estrangeiros, tende a se agravar. Caso o projeto passe pela aprovação do Congresso será preciso, segundo o deputado, criar o máximo de barreiras possíveis. "Sabemos que a venda de terras será usada seja para expandir a fronteira agrícola, seja para levar a agropecuária a lugares onde hoje ainda têm biomas naturais”, disse.
Para o secretário de Articulação Institucional e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte, a preocupação é que a possibilidade de venda a estrangeiros exerça uma pressão maior sobre os biomas brasileiros, já que a terra teria grande valorização. “É preciso fortalecer o setor, mas, talvez não necessariamente, com a abertura para venda ao exterior. O agronegócio é importante para a economia brasileira e é possível conviver com a proteção dos remanescentes florestais que temos no Brasil”, afirmou.
Segundo Duarte, caso o projeto saia do papel, o trabalho do ministério seria no sentido de garantir que as leis brasileiras, como o Código Florestal, sejam respeitadas, que o comércio não venha a exercer pressão sobre as florestas brasileiras.
De acordo com o cardeal Sérgio da Rocha, as terras devem ser valorizadas e respeitadas, considerando as pessoas que vivem e sobrevivem dela. “Elas não podem perder o direto às terras e à sua vida, e sua cultura deve ser valorizada nessas diferentes circunstâncias”.
Ações da campanha
O texto-base da Campanha da Fraternidade 2017, que tem como lema Cultivar e guardar a criação, aborda cada um dos seis biomas brasileiros, suas características e significados, desafios e as principais iniciativas já existentes na defesa da biodiversidade e da cultura dos povos originários.
Entre as ações propostas estão o aprofundamento de estudos e debates nas escolas públicas e privadas sobre o tema abordado pela campanha. Segundo a CNBB, o fortalecimento das redes e articulações, em todos os níveis, também é proposto com o objetivo de suscitar nova consciência e novas práticas na defesa dos ambientes essenciais à vida. Além disso, o texto chama a atenção para a necessidade de a população defender o desmatamento zero para todos os biomas e sua composição florestal.
No campo político, o texto-base da campanha incentiva a criação de um projeto de lei que impeça o uso de agrotóxicos. “Ele indica ainda que combater a corrupção é um modo especial para se evitar processos licitatórios fraudulentos, especialmente em relação às enchentes e secas que acabam sendo mecanismos de exploração e desvio de recursos públicos”, informou a CNBB.
No Brasil, a Campanha da Fraternidade existe há mais de 50 anos e sua abertura oficial sempre ocorre na Quarta-feira de Cinzas, quando tem início a Quaresma, época na qual a Igreja convida os fiéis a experimentar três práticas de penitência: a oração, o jejum e a caridade.

Dependentes podem sacar contas inativas de falecidos

Com a liberação dos recursos em contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), famílias de trabalhadores que morreram antes da edição da medida podem sacar o dinheiro, informa a Agência Brasil.
Nesse caso, para ter acesso aos recursos, é necessário apresentar a carteira de trabalho do titular da conta, além da identidade do sacador ao solicitar o resgate junto à Caixa Econômica Federal.
Entre as pessoas que têm legitimidade sobre os bens do trabalhador que morreu, estão o cônjuge ou os herdeiros. Caso a família não tenha um inventário deixado pelo ente falecido indicando a divisão de bens, é preciso ir até o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e solicitar a emissão de uma declaração de dependência econômica e da inexistência de dependentes preferenciais.
Além disso, o INSS emite uma declaração de dependentes que podem receber a pensão por morte e que têm direito aos valores.
Também é necessário apresentar a identidade e o CPF dos filhos do trabalhador que forem menores de idade. Os recursos serão partilhados e depositados na caderneta de poupança desses dependentes, que só poderão acessá-la após completarem 18 anos.

QUARTA DE CINZAS Bancos reabrem a partir do meio-dia

Os consumidores que tiverem assuntos a resolver pessoalmente em agências bancárias podem fazê-lo nesta quarta-feira, 1°, a partir do meio-dia. Os bancos, que não funcionaram na segunda, 27, e terça-feira , 28, de Carnaval, reabrem nesta Quarta-feira de Cinzas, mas só no período da tarde.

As contas de consumo que venceram durante o Carnaval – como de água, energia e telefone, por exemplo – podem ser pagas hoje sem o acréscimo de juros.

Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destaca que, geralmente, os tributos já vêm com datas ajustadas ao calendário de feriados nacionais, estaduais e municipais. A entidade havia sugerido antecipar o pagamento nos casos em que a data não estivesse corrigida.

CARNAVAL 2017 PRF recomenda aos motoristas paciência e atenção na volta para casa

O fluxo nas principais rodovias federais que cortam o Ceará é intenso nesta terça-feira, 28, quando muitos motoristas voltam para casa. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) orienta o tráfego, em operação especial de Carnaval, e recomenda paciência e atenção redobrada nos principais trechos de acesso à Capital cearense, como BRs 116 e 222.
"A BR-116 está mais tranquila por causa da própria estrutura da via, em que há maior fluidez. No fim da tarde, a BR-222 está mais complicada porque é o único acesso ao Oeste de Fortaleza", explica o chefe de Policiamento e Fiscalização da PRF, Ricardo Araújo.
A BR-116 é a mais utilizada para quem vem de cidades como Beberibe, Aracati e Cascavel, após passagem pela CE-040. Quem está vindo no sentido Interior-Capital, o caminho é pela BR-222 até a avenida Mister Hull. "As pessoas da região do Icaraí e das praias de Iparana, Pecém, Taíba: todas passam pela BR- 222. Acreditamos que amanhã de manhã esse trecho deve ficar mais travado", avalia Ricardo.
Além das orientações básicas de respeito às leis de trânsito e segurança dos veículos, o chefe de Policiamento e Fiscalização da PRF orienta cuidado com as ultrapassagens. "A grande dica é paciência para quem vai pegar a estrada amanhã. É bom tentar descansar e só sair quando estiver em condições. Teremos filas de carro, então não vale a pena fazer manobras de risco", frisa.
Segundo Ricardo, mesmo as ultrapassagens permitidas podem ser evitadas. "A pessoa ganha dez segundos em uma ultrapassagem, mas lá na frente haverá outros carros", completa ele.
O balanço dos acidentes registrados pela PRF durante o Carnaval será divulgado na manhã desta quinta-feira, 2, após o encerramento da operação especial, à meia-noite de quarta-feira, 1º. A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) também deve veicular os dados sobre a operação do feriado nos próximos dias.

GRUPO ESPECIAL Acadêmicos do Tatuapé é campeã do carnaval de São Paulo

Com uma vitória conseguida apenas na última nota, a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé foi a grande campeã do carnaval de São Paulo este ano. Após homenagear o continente africano, a Acadêmicos do Tatuapé conseguiu nota dez na quase totalidade dos quesitos e conquistou o primeiro ligar na disputa.
A escola de samba teve como tema Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe. Apenas nos últimos instantes os membros e torcedores da escola puderam comemorar o resultado.
Até a nota do penúltimo jurado, quem vencia era a escola Dragões da Real. Com uma homenagem à famosa música do cantor Luiz Gonzaga, a escola que ficou em segundo lugar teve o tema Dragões Canta Asa Branca.
As notas, lidas nesta tarde no Sambódromo do Anhembi, foram atribuídas por 36 jurados, quatro para cada um dos nove quesitos.
Na última e penúltima colocação, as escolas Águia de Ouro e Nenê de Vila Matilde foram rebaixadas para o Grupo de Acesso. De acordo com as regras, os critérios de desempate seguiram a ordem inversa dos quesitos que foram anunciados: fantasia, bateria, comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, harmonia, alegoria, evolução, enredo e samba enredo.
Em instantes, começa a apuração das escolas que desfilaram no Grupo de Acesso, das quais as duas mais bem colocadas irão para a elite do carnaval paulista em 2018.
No ano passado, a escola Império da Casa Verde, que começou a apuração em primeiro lugar, foi a campeã do grupo especial.
Agência Brasil

Contas de luz ficarão mais caras para o consumidor

A partir de hoje, até o último dia do mês de março, a bandeira tarifária aplicada nas contas de luz será amarela, ou seja, virá com a cobrança adicional de R$ 2 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

A última vez em que a bandeira amarela vigorou foi em novembro. De dezembro a fevereiro, vigorou a bandeira verde, sem adicional na conta de luz. A bandeira amarela é ativada quando é preciso acionar mais usinas termelétricas, por causa da falta de chuvas.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a previsão de chuvas nos reservatórios das hidrelétricas no mês de março ficou abaixo da expectativa anterior, o que levou a indicação de maior geração termelétrica como medida para preservar os níveis de armazenamento e garantir o atendimento à carga do sistema.

A mudança na bandeira vai de encontro com o que havia afirmado no último dia 3 de fevereiro, o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, durante entrevista a jornalistas, após evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), em São Paulo. Ele estimou que, ao menos até o final de abril, a bandeira tarifária deveria seguir verde, o que não aconteceu. “Para março e até o final do período úmido, não vislumbro um cenário que possa acionar a bandeira amarela”, disse o executivo na ocasião.

Quanto ao período seco, que se inicia em maio, Rufino não quis fazer previsões. “Depende de como fecharmos o período úmido. Não dá pra saber”, disse.

Novos valores
Há quase duas semanas, a Aneel aprovou os novos valores para as bandeiras neste ano. De acordo com os novos valores, a bandeira amarela vai passar de R$ 1,50 para R$ 2 a cada 100 kWh consumidos. A bandeira vermelha patamar 1 fica inalterada, em R$ 3 para cada 100 kWh, e o valor da bandeira vermelha patamar 2 caiu de R$ 4,50 para R$ 3,50 a cada 100 kWh. 

Neste ano, a Aneel decidiu que o custo da energia no mercado de curto prazo (PLD) não será mais o único critério para acionamento de bandeiras. O teto do PLD é R$ 422,56, e corresponde ao primeiro patamar da bandeira vermelha. A metade deste valor, R$ 211,28, corresponde ao limite da bandeira verde. No mês passado, a Aneel, inclusive, já sinalizava que seria preciso ligar usinas termelétricas com custo acima de R$ 211,28 por megawatt-hora (MWh).

A proposta dos novos valores recebeu contribuições por meio de audiência pública. As distribuidoras pleitearam a criação de novo patamar de bandeira amarela, mas o relator entendeu que a estrutura atual é a mais adequada. “Além do aspecto econômico, o sistema de bandeiras tarifárias tem caráter educativo, e é uma forma transparente de comunicar aos consumidores que as condições de geração de energia elétrica no País estão menos favoráveis, no caso de bandeira amarela, ou mais custosas, de acordo com o patamar de bandeira vermelha que é acionado”, explicou José Jurhosa, diretor da Aneel e relator da proposta.

Os valores das bandeiras tarifárias são revisados a cada ano, conforme as variações de custo de energia.

Bandeiras tarifárias
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado em 2015 como forma de recompor os gastos extras com a utilização de energia de usinas termelétricas, que é mais cara do que a de hidrelétricas. A cor da bandeira é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde) e indica o custo da energia em função das condições de geração de eletricidade.

Quando chove menos, por exemplo, os reservatórios das hidrelétricas ficam mais vazios e é preciso acionar mais termelétricas para garantir o suprimento de energia no País. Nesse caso, a bandeira fica amarela ou vermelha, de acordo com o custo de operação das termelétricas acionadas. (com Agência Brasil e AE)

As mil e uma faces do Carnaval de Fortaleza

O Carnaval de Fortaleza pode ser a primeira vez de quem viu o maracatu ou a milésima. Pode ser também um médico que guarda em si um palhaço, um professor que se sabe rainha, uma travesti sem medo. Pode ser ainda um grupo de ex-alunos e suas fardas assinadas por saudades; ou um corpo só, refeito de glitter, a abraçar o tempo. Pode ser, simplesmente, a folga em prosa e brinde nas calçadas; e até o trabalho cantado, em um samba e outro, enquanto se catam latas ou palavras.

Ou o Carnaval de Fortaleza pode ser aqueles dois meninos negros descalços, na subida da João Cordeiro, que suspenderam a venda do churrasquinho para um minuto de glória: dançar um batuque improvisado nas palmas de quem, passando no rumo da Mocinha ou do Aterrinho, reparou na infância deles. A luz do poste iluminou o azul daqueles meninos. Era Carnaval.

Em síntese, o Carnaval de Fortaleza pode ser cada um: tem tantas faces e narrativas quanto somos e vamos nos reinventando. E é, em essência, o Carnaval dos encontros: com os amigos, as memórias, a autoestima, as canções, o bonito, as ruas, os prazeres urbanos. A felicidade possível.

Este ano, oito polos oficiais convidaram ao Carnaval em Fortaleza: Domingos Olímpio, Aterrinho, Mocinha, Passeio Público e os mercados dos Pinhões, da Pontes Vieira, da Aerolândia e dos Peixes. Além deles, pelos caminhos, as pessoas se faziam festa e cortejavam a Cidade. Aconteceu o encanto outra vez.

Cadeirantes sambaram, houve bonecos gigantes, ouviu-se Cartola como ainda não se tinha ouvido, dançou-se carimbó como ainda não se tinha dançado. Na Gentilândia, juntaram-se mil tribos: marchinha, frevo, rock, maracatu. E, entre a Rua dos Tabajaras e o Dragão do Mar, uma Iracema, travesti e índia, casou-se com um bode boêmio. Sim, aconteceu o espetacular em plena Fortaleza.

No meio dessa metamorfose de fevereiro, perguntaram se Fortaleza queria ser Olinda. Não. Fortaleza quer ser só ela mesma. Com suas fantasias de realeza, de miçangas do Centro, de glitter. Com a excelência de Tarcísio Sardinha, a resistência do Luxo da Aldeia, a homenagem a Nirez, ou a procura por Belchior. Com os sujos nas ruas, os mascarados nos bailes, seminua nas esquinas. Com os mugangos e a boniteza às avessas. Com o brilho falso de uma riqueza desigual. Vaiando a chuva, para dançar com ela minutos depois. Com suas contradições e superações. Perdendo e se encontrando, antes que tudo vire cinzas.

O Carnaval de Fortaleza é feito cada um, por se refazer. Cantamos, no luto de um bloco que morreu, outras mil canções. Somos muitos, muitos carnavais porque o Carnaval é a reinvenção de nós mesmos, de nossas liberdades censuradas. Pode ser, por exemplo, o amor embriagado beijando a amizade, ou o desejo encarnado, ou a última inocência. E é o espanto e a tolerância, a brincadeira e o respeito no mesmo espaço apertado.

Uma primeira vez, uma despedida. Um reencontro aos oito ou 80 anos.

O Carnaval é o que ainda não sabíamos que éramos: felizes. São as nossas mil e uma narrativas. Igual à Cidade.

CARNAVAL
NO MEIO DESSA METAMORFOSE DE FEVEREIRO, PERGUNTARAM SE FORTALEZA QUERIA SER OLINDA. NÃO. FORTALEZA QUER SER SÓ ELA MESMA

PONTO DE VISTA

No Carnaval
Se o Carnaval é o ápice das alegrias individuais, é ainda a catarse coletiva de uma Cidade acostumada a farrear, mas que o faz só uma vez no ano com tamanha ênfase e concentração de energia. Assim, nos quatro dias de festa enfatizaram-se, além do espírito festeiro, ausências e excessos comuns nestas Fortalezas. Se falta(ra)m lixeiras, calçadas, gentilezas dos carros com os pedestres, sobra(ra)m, por exemplo, flanelinhas loteando as ruas (e cobrando caro). São itens normais na rotina urbana, mas que foram mais vistos e sentidos porque os nossos expedientes com a rua foram mais longos por estes dias. Explico: se, em dias comuns, os percursos são curtos e o aproveitamento de praças e mercados chega a ser breve, no Carnaval foram muitas horas de pés (e danças e alegrias) no asfalto — porque o expediente folião começava pela manhã na Gentilândia e ia terminar à noite no Aterrinho da Praia de Iracema. Por isso pudemos perceber que os incômodos que parecem pequenos e são superáveis quando a praça é passagem de um caminho que continua (como a falta de lixeiras para depositar a lata de cerveja) são enormes quando a festa fica por horas ocupando a mesma praça (e as lixeiras existentes lotaram quando o relógio não marcava meio-dia). 
O poder público até tentou controlar o comércio ambulante não credenciado ou o trânsito no entorno dos locais de festa. Mas a Fortaleza de Carnaval não seria diferente da Fortaleza do Cotidiano. Se não há fiscalização eficaz corriqueiramente, por que haveria de ter nestas dias com maior demanda? Se não há respeito aos pedestres e às calçadas diariamente, por que mudaria nos dias que se entendem de liberdade?

O desafio que se apresenta diante desta festa necessária é mais cuidado dos indivíduos e do poder público com os outros e com a Cidade. A alegria está no espírito coletivo e as oportunidades de ocupação dos espaços são notáveis e possíveis. Faltam fiscalização e um ordenamento mais condizentes com o que a dinâmica da festa. Atitudes que permitam, inclusive, que o Carnaval ocupe outras áreas.

Comando de comissões estratégicas vira arma política nos parlamentos

Quem imaginou que a polarização entre esquerda e direita havia se fragilizado após a aprovação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ou depois do fim das manifestações de rua das diversas frentes ideológicas, se enganou. A disputa por espaços é algo caro para o exercício diário da política, por mais que renda críticas pelas contradições do ofício. A prática ficou clara quando o PT apoiou O PMDB — seu algoz no “golpe” — para a presidência do Senado, em fevereiro deste ano.

A ocupação dos espaços se mantém como a principal arma para o fazer política. Diante das disputas entre progressistas e conservadores, percebe-se o objetivo maior nesse processo: a pauta social.

Nas Casas legislativas do Ceará, Câmara Municipal de Fortaleza (CMF) e Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), a esquerda procurou ocupar os espaços da sua pauta histórica nas comissões técnicas neste ano. Enquanto a direita, para se contrapor aos movimentos progressistas e impor a sua pauta conservadora, também exigiu seu lugar de destaque.

As visões
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da AL-CE, a deputada Rachel Marques (PT) deixa claro o papel que espera da comissão que preside e como deve ser a condução dos debates. “A Comissão sempre foi um espaço de resistência daqueles que lutam por direitos. É exatamente o momento em que está havendo um retrocesso em relação aos direitos alcançados, como vemos no projeto da reforma da Previdência”, disse a petista. 

De acordo com a deputada, há um crescimento das “forças conservadoras” no País, desde a queda de Dilma, que precisa ser combatido através de instrumentos como esse na Casa. “Nós vamos continuar combatendo retrocessos aqui”, diz.

Recém-eleita presidente da Comissão de Educação da AL-CE, a deputada Dra Silvana (PMDB) adiantou sua intenção de pautar o projeto “Escola Sem Partido”, que pretende doutrinar o ensino evitando, assim, a influência ideológica que professores exerceriam sobre os alunos. Religiosa, a peemedebista se envolveu em várias polêmicas nos últimos anos e não vê problema nelas. “Vou lutar pelo ‘Escola sem Partido’. Sei que vai dar uma polêmica danada. Já está dando”, disse.

Vice-presidente da Comissão de Educação, Rachel Marques promete a resistência e o debate do assunto na AL-CE. “Nós vamos fazer o debate. Essa questão da Escola Sem Partido é uma intenção de calar e de não permitir que tenhamos escolas que formem pensamento crítico, que formem para a cidadania”, rebateu.

Saiba mais

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, não é diferente. Na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o presidente e os outros três vice-presidentes são parlamentares do PT. Ou seja, em defesa de pautas consideradas mais progressistas.

Por outro lado, quem preside a Comissão de Educação da Casa é o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Trata-se de membro da Frente Mista Católica Romana na Câmara, indicando uma postura dentro de uma linha marcada pelo conservadorismo.

WAGNER MENDES